domingo, novembro 07, 2010

E o estelionato Dilma continua...

Adelson Elias Vasconcellos

Leiam o texto a seguir da Redação Época com Agência Estado. Retorno para comentar.

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Governo quer retomar debate sobre poupança

Além de tentar ressuscitar a CPMF, o governo deve discutir mudança de regras no rendimento da poupança

Além de tentar ressuscitar a CPMF, o governo precisará trazer outro tema impopular e polêmico à pauta econômica. Para que o Brasil consiga ter juro real de 2%, como deseja a presidente eleita Dilma Rousseff, será preciso mudar regras para diminuir o rendimento da poupança. É necessário reduzir a rentabilidade obrigatória para que a taxa Selic possa cair sem que haja desequilíbrio nas aplicações financeiras e na gestão da dívida pública.

O Ministério da Fazenda admite nos bastidores que o tema é impopular e, por isso, o assunto é tratado com cuidado, até porque o assunto reaviva traumas gerados pelo confisco no governo Collor. Já o Banco Central normalmente não trabalha com meta de juros, mas de inflação. Os juros são vistos como instrumento para se atingir a meta de inflação.

Deverá ser longo o caminho para o Brasil atingir o patamar de juro real desejado por Dilma. Números do BC mostram que a redução da taxa foi muito gradual nos últimos anos. Juro real é o patamar que não deprime, nem acelera o ritmo da economia. Esse número é considerado ideal pelos economistas, já que a política monetária não exerce pressão contracionista, nem expansionista na atividade.

Nos oito anos do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, esse patamar caiu de cerca de 15,5% no começo de 2003 para o atual nível entre 5,5% e 6% ao ano. Mesmo com essa redução, seria preciso cortar o patamar em mais da metade para chegar ao nível esperado pela presidente.


***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Ontem, no artigo “Dois em um”, (clique aqui) demonstramos que, mesmo antes de assumir, ainda na primeira semana após sua proclamação de presidente eleita, Dilma já aplicava dois garrotes no eleitorado: através de parlamentares da base aliada, vai-se se disseminado pelo país a tentativa de criação de conselhos ou secretarias de comunicação que, antes de tudo, vão tentar cercear a liberdade de imprensa, numa tentativa escroque de constrangimento da opinião pública que terá um acesso à informação mais restrito e menos verdadeiro.

De outro lado, insuflada pelo seu chefe maior, Dilma anunciou a intenção de recriar a CPMF como forma de arrecadar recursos para saúde pública. Provei aqui que nem o governo teve redução de receita com a não prorrogação da contribuição em 2007, e tampouco, quando a mesma estava em vigor, a saúde pública sofreu alguma melhora, pelo contrário, desandou ano após ano, numa lenta agonia fruto da má gestão, da falta tanto de prioridades quanto de planejamento do governo Lula neste campo (aliás, não apenas neste devo acrescentar).

Hoje, mesmo que de forma um tanto tímida, alguém soltou uma nova facada nos eleitores: o governo estuda mudanças na poupança, ou seja, quer rever, para baixo é claro, a remuneração que atualmente é paga para o colchão de segurança da população brasileira que é a poupança.

Aliás, nem é novidade. Lula tentou mexer neste assunto, todavia, viu-se obrigado a recuar no final de 2009, sob a ameaça do risco político que tal mudança poderia provocar na candidatura governista. Engavetou o projeto, mas não o esqueceu. Agora, passada a eleição, com sua candidata devidamente vitoriosa nas urnas, já não se sente tão motivado a deixar o assunto de lado. Caso leve avante a ideia de modificar a remuneração da poupança, reduzindo seus ganhos, seria o terceiro golpe ao eleitorado brasileiro em apenas 10 dias. Dado que os três assuntos, censura, recriação da CPMF e redução nos ganhos da poupança, jamais foram tema na campanha da dona Dilma, mas se tratavam de três pontos guardados e aguardados para outro momento, fica concretizado o estelionato eleitoral de Dilma Rousseff, armado traiçoeiramente, para cima do eleitorado.

E fica mais evidente que, tudo aquilo que se dizia sobre o perigo do eleitorado votar numa candidata da qual poucos alguma coisa sabiam sobre ela própria e suas ideias. Portanto, quando ouço ou leio que alguns dirigentes da oposição falam em rearticular-se a partir de janeiro de 2011, confesso sentir um certo desânimo. Ora, Dilma, de um modo ou de outro, já está desenhando as linhas mestras de seu programa de governo. Lula está sedimentando seu caminho para que sua candidata não tenha tantas dificuldades de governabilidade. Como podem as oposições, diante dos erros que as levaram a três derrotas sucessivas, ainda jogarem para frente o “início” de seus trabalhos? Eles são oposição tanto hoje, quanto serão em 2011. A eleição até pode ter acabado, mesmo que sob a égide da ilegalidade, mas deveriam DEM e PSDB, este principalmente, estarem em efervescente atuação, seja para buscar punição a Lula e Dilma por abuso do poder econômico e político durante a campanha e a pré-campanha, quanto estarem levantando sua voz contra estes três estelionatos que se cometem mal terminada a contagem dos votos.

Não há nenhuma razão para buscarem entendimento com o governo, nem tampouco alguma forma de composição para a atividade congressual. Devem ir para a batalha no campo político, e buscar articulação e interação com a sociedade, se não com toda ela, pelo menos com a parte enorme que conquistou nas urnas.

Veja-se o caso do pré-sal, por exemplo: quem leu o artigo do Sebastião Nery aqui reproduzido, “Guerra Suja” (clique aqui), deve recordar da mentira contada por Dilma, Lula & Cia, e que o artigo, com muita propriedade, desmascarou. A certa altura conta o Nery:
(...)”Dilma dizia que, no governo Lula, a Petrobrás só adotou o sistema de “concessões e parcerias” para o petróleo até o Pré-sal. Com o Pré-sal, um “bilhete premiado”, tudo é no “sistema de partilha”. Mentira. A maioria do Pré-sal (mais de 10 bilhões de barris) já está com licitações de “concessão e parceria” da Petrobrás com empresas estrangeiras (Inglaterra, Espanha, etc.)”(...)

Portanto, esta seria uma das muitas questões que as oposições já deveriam estar trabalhando no sentido de esclarecer a população brasileira sobre as muitas mentiras deste governo e sobre a trapaça que está sendo armada contra ela no futuro governo Dilma. Convenhamos, é ter muita compulsão à derrota!

Como até a posse de Dilma ainda teremos cerca de dois meses, não creio que as surpresas desagradáveis se restringirão apenas a estes três eventos. Mais uma razão para que as oposições se organizem rapidamente e saiam da pasmaceira e partam para a luta. Do contrário, corre o risco de se ver menor ainda daqui quatro anos.

E, o que é pior: deixa livre o campo para a delinquência governista continuar imperando livre e solta, e Dilma continuar plantando suas sementes de estelionato sem, ao menos, ser incomodada ou confrontada. Estas "facadas" somente poderão ser evgitadas se houver mobilização e pressão contrária da sociedade. E, é lógico, não serão as milícias do PT quem erguerão sua voz para a mobilização. Este papel compete exclusivamente a oposição. Mas como ela resolveu tirar férias e retornar somente após a posse do novo-velho governo, acredito que chegará atrasada. Mais uma vez...