domingo, novembro 07, 2010

Quem é o barbeiro

Sebastião Nery

RIO – Em 1968, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) resolveu oferecer um grande banquete, no Copacabana Palace, aqui no Rio, ao presidente Costa e Silva. Tomás Pompeu, o presidente da CNI, Zulfo Malmann, vice-presidente, e Fagundes Neto, dez anos depois secretário do governo Aureliano Chaves e candidato da Arena ao Senado, por Minas, contra Tancredo Neves, foram ao Laranjeiras convidar o Presidente.

Costa e Silva, diante de uma mesa inteiramente vazia, com uma velha e amarrotada pasta creme em cima, abriu a pasta, tirou uma folha de papel almaço com um risco no meio, de um lado escrito à mão “abril” e do outro “maio” e, de cima a baixo, uma fileira de nomes de gêneros de primeira necessidade: feijão, arroz, farinha, carne, pão, ovos, óleo, etc.

Costa E Silva
E começou a falar:

- Os senhores precisam ajudar o governo a combater a inflação. Nesse negócio de inflação ninguém me engana. Eu controlo todo dia, de manhã e de noite. De inflação sei tudo. Aqui, anoto os preços dia a dia.

- Mas o senhor faz isso pessoalmente, Presidente? Deve dar muito trabalho, toma muito tempo do senhor.

- Não toma não. É meu barbeiro que faz para mim.

Dilma
Na saída, Zulfo Malmann estava em pânico, disse a Fagundes Neto:

- Estamos perdidos. Se é o barbeiro dele que cuida da inflação, quem será que cuida do resto?

Dois dias depois houve o banquete no Copa : dois mil empresários, discursos, aplausos e elogios uma noite inteira.

Os jornais especulam, publicam diariamente listas de futuros ministros, de quem vai ajudar a Dilma a cuidar do pais.

É bom começar procurando saber quem é o barbeiro dela.

Rockfeller
David Rockfeller, o rei dos banqueiros, devia ser brasileiro:

- Não gosto de falar com banqueiro. Eles só querem saber de falar de arte e de artistas. Gosto de falar é com artista. Só querem saber de dinheiro.

David Rockfeller não viu o encontro de Dilma com os artistas (e “intelectuais”) no Teatro Casa Grande, no Rio, nas vésperas das eleições.

Ninguém falou, mas só pensavam em dinheiro. A Dilma ainda não assumiu e a guerra pelo ministério da Cultura já está pegando fogo.

Juscelino
A coluna “Há 50 Anos”, de “O Globo” de 1º de novembro ultimo, segunda-feira, republicava noticia de 1º de novembro de 1960:

- “Foi confirmado, nos círculos ligados ao presidente da Republica, que o senhor Juscelino Kubitschek viajará para a Europa no dia imediato ao da transmissão do governo ao senhor Janio Quadros, permanecendo no Velho Mundo cerca de seis meses. Ao regressar ao Brasil, dará inicio a sua campanha para a presidência da Republica em 1965”.

(Dia 31 de janeiro,Juscelino iria passar o cargo a Janio, recém eleito).

Lacerda
“A esse respeito, declarou-nos um prócer do atual governo :

- “Estamos convencidos de que uma das causas da derrota do marechal Lott foi o lançamento de sua candidatura muito tarde. Esse erro não será repetido pelo senhor Kubitschek que, durante os próximos cinco anos, manterá permanente contato com o eleitorado de todo o pais”.

E não houve eleição em 1965. Sabendo que JK derrotaria Carlos Lacerda, também já lançado candidato, os militares, majoritariamente udenistas, deram o golpe de 64 sobretudo para impedirem a volta de Juscelino. Depois, cassaram também Lacerda, para deixar de ser ingênuo.

Desde a Republica, jamais os militares brasileiros deram um golpe para entregar o poder a um civil. Sempre ficou gulosamente na mão deles.

Lula que se cuide com 2014. Não é só militar que atrapalha projetos.

Bolsa Familia
Podem propor mudar o nome do“Bolsa Família” para “Bolsa Dilma”.

- “Percentagem da população com Bolsa Familia Estado por Estado e votação de Dilma em cada um deles, no primeiro turno :

1. - Maranhão : Bolsa Família 54,04%, votação de Dilma 70,65%.

2. - Piauí : Bolsa Família 52,36%, votação de Dilma 67,09%.

3. - Alagoas : Bolsa Família 51,63%, votação de Dilma 50,92%.

4.- Pernambuco : Bolsa Família 48,01%, votação de Dilma 61,74%.

5. – Ceará : Bolsa Família 47,59%, votação de Dilma 66,03%.

6. – Paraíba : Bolsa Família 47,30%, votação de Dilma 53,21%.

7. – Bahia : Bolsa Família 45,34%, votação de Dilma 62,62%.

8. – Sergipe : Bolsa Família, 44,76%, votação de Dilma 47,67%.

9. – Rio Grande do Norte : Bolsa Família 42,77%, Votação 51,76%.

10 – Tocantins : Bolsa Família, 39,18%. Votação de Dilma, 50,98%.

Voto e Fome
Nos demais Estados, a proporção continuou. Ultimos cinco - Rio: Bolsa 17,31%, votação 43,76%.Rio Grande do Sul:Bolsa 16,65%,votação 46,95%. Brasília: Bolsa 11,92%, votação 31,74%. São Paulo : Bolsa 10,89%, votação 37,31%. Santa Catarina : Bolsa 9,66%, votação 38,71%.

É o voto da fome.