segunda-feira, dezembro 20, 2010

O saque de fim de festa

Villas-Bôas Corrêa


O mais odiento dos inimigos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente eleita Dilma Rousseff não teriam imaginação nem a dose de ódio para imaginar uma final de governo, na travessia da pinguela da transição do que o forró de desatinos, do avanço no cofre da Viúva da exibição de falta de compostura da estréia do novo Congresso.

Não há comparação possível nem com os da ditadura militar. Para iniciar a farra os novos senadores e deputados federais aprovaram, num piscar de olho, em duas votações emendadas como os vagões do trem da alegria e da rapinagem, os reajustes dos salários do presidente da República, dos ministros e os próprios subsídios em escala de um descaro como nunca se vira na história deste país.

E não é força de expressão. Aos números. A partir de 1º de fevereiro, o presidente e o vice-presidente da República, os ministros, senadores e deputados federais passam a receber R$ 26.723,13 por mês. O reajuste dos parlamentares chega ao descaro de 61,8%. Não é só esta mixaria. A legislação domestica prevê o efeito cascata para as Assembléias Legislativas e Câmaras de Vereadores e a Confederação Nacional dos Municípios antecipa que o rombo chegará à bagatela de R$ 2 bilhões por ano daqui a dois anos.

No Congresso, o buraco será de modestos R$ 136 milhões por ano e no Executivo a R$ 100 milhões.

Na lista das gorjetas, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que já são contemplados com R$ 26,7 mil por mês, o reajuste ficará em 5,2%.

A cascata é generosa na distribuição de agrados. Resumindo: a presidente eleita, Dilma Rousseff terá os seus vencimentos reajustados para R$ 26,7 mil, o mesmo que o trem da alegria garante para o vice-presidente da República, os ministros de Estado, senadores e deputados federais. É esquisita esta mistura de presidente, vice-presidente, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), senadores e deputados no mesmo saco.

Nas Assembléias Legislativas e Câmaras de Vereadores os gastos previstos chegam a R$ 2 bilhões por ano.

Na fuzarca da estréia do novo Congresso, o palhaço Tiririca, deputado eleito pelo PR de São Paulo fez a sua estréia, com terno impecável e o bom humor que antecipa o seu sucesso com a imprensa e o plenário. Estava eufórico: “Cheguei com sorte”, no dia da farra dos reajustes dos subsídios. Mas, admitiu que ganha muito mais fazendo o povo rir das suas piadas.

E foi realmente um sucesso a visita do deputado Tiririca ao Congresso.

Estava em casa.