Se o Tiririca não sabia o que faz um deputado federal, agora já sabe (e, o que é pior, achou ótimo). Se você, caro leitor, está escandalizado com o aumento que Suas Excelências se concederam, de 62%, elevando seus míseros vencimentos de R$ 16,7 mil para R$ 26.723,13, enquanto dizem que não há recursos para reajustar os salários do funcionalismo nem para pagar os precatórios que se arrastam há anos, desescandalize-se: esta é a menor parte do custo. Somando 15 salários anuais, mais auxílio moradia até para quem mora em Brasília, mais verba para contratação de funcionários, mais isso, mais aquilo, cada deputado federal custa ao seu bolso, caro leitor, R$ 128 mil mensais (e isso para trabalhar de terça a quinta, e olhe lá - neste ano, conseguiram trabalhar ainda menos). Cada senador custa um pouco mais caro: uns R$ 150 mil, ou talvez R$ 160 mil, por mês.
Se o caro leitor se preocupa com o gasto extra do Congresso, esqueça: como os salários de deputados estaduais e vereadores estão vinculados ao dos deputados federais, o gasto será nacional e bem maior. Fora o exemplo: os juízes federais exigem mais 14,79% e ameaçam ir ao Supremo, para que o aumento seja dado com ou sem a aprovação do Congresso. Os servidores do Judiciário também querem aumento. E como fica a PM, já que todos os candidatos apoiaram a Proposta de Emenda Constitucional que fixa o piso de R$ 3 mil para a categoria?
O título deste artigo é de um filme clássico, com Marlon Brando, dirigido por Elia Kazan. No Brasil, recebeu o estranho nome de Sindicato de Ladrões.
Dinheiro limpo
Este colunista acha que deputados, senadores, ministros e presidente da República devem ganhar muito bem; pelo menos o que lhes pagaria uma empresa privada. Seu trabalho é importante e o país é maior do que qualquer empresa. Mas que haja eficiência. Nenhuma empresa, por exemplo, tem um conselho com 594 pessoas - o tamanho de nosso Congresso. Nenhuma empresa dá a seus conselheiros gabinetes exclusivos, com várias salas, farto funcionalismo, abundância de passagens aéreas, apartamentos funcionais ou hospedagem permanente em hotéis de luxo. Numa empresa se trabalha cinco dias por semana, não dois ou, no máximo, três; uma empresa dá bônus aos executivos (não as conselheiros), mas dependendo dos resultados. Se é para pendurar multidões nas tetas públicas, não há como pagar esses salários monumentais sem atrapalhar o país. Mas quem é que aceita reduzir o tamanho das multidões, pagando mais a quem sobrar?
Perdeu, mas está vivo
O bingo foi derrotado no Congresso, mas a ideia não morreu: deve voltar à pauta em fevereiro ou março. Até lá, parlamentares e interessados munem-se de argumentos para tentar convencer a mudar de ideia os que agora se opuseram.
A dona do orçamento
A senadora Serys Slhessarenko, do PT matogrossense, relatora do Orçamento, ficou famosa por vários motivos. Começou por ter sido a primeira mulher a representar Mato Grosso no Senado. Continuou por aparecer no escândalo dos ônibus da inclusão digital, em 2006; e pelo caso dos Sanguessugas, imenso superfaturamento de ambulâncias, motivo pelo qual foi pedida a cassação de seu mandato. A assessora que recebia no Brasil, por trabalho no Brasil, e morava há muito tempo nos Estados Unidos, era funcionária dela. E o caso de Ida Muhlenberg, envolvida no escândalo do desvio de verbas parlamentares, a atinge de duas maneiras: primeiro, porque disse, agora, que não sabia que sua assessora atuava no ramo das organizações que recebem verbas parlamentares; segundo, porque em abril dizia que sabia, sim, e que isso era perfeitamente legal.
Serys no Orçamento. Será que não há alguém, digamos, menos controverso?
A cara do pai
No Ministério de Dilma, fica Carlos Luppi, fica Nelson Jobim, fica Guido Mantega. Enem Fernando Haddad é trocado.
Lendas e fatos
Lembra das festas que comemoraram a autossuficiência do Brasil em petróleo? Nunca dantes nesse país! Aos números: a importação de derivados de petróleo pelo Brasil cresceu 152% neste ano, chegando pertinho dos 11 bilhões de dólares. Nunca dantes nesse país se importou tanta gasolina, tanto diesel. Lembra do álcool, aquele que até mudou de nome para etanol, a revolução verde-amarela em combustíveis? Aos números: os EUA exportam mais álcool que o Brasil.
Tecnologia útil
A Inglaterra está produzindo uma cueca blindada, para proteger a área pélvica dos soldados contra minas terrestres. Ótima ideia, especialmente para o Brasil: imagine um cofrinho protegido por cueca blindada. Quantos dólares cabem aí?
Livros, livros
1 - Dois grandes jornalistas, José Carlos Marão e José Hamílton Ribeiro, astros da revista Realidade, lançam o livro Realidade Re-vista. Nesta segunda, a partir das 19h, rua Aspicuelta, 646, São Paulo.
2 - Rodrigo França lança, nesta segunda, Ayrton Senna e a Mídia Esportiva, na avenida Professor Luiz Ignácio Anhaia Melo, 1.501, SP.