Adelson Elias Vasconcellos
Marco Maia (PT-RS), presidente da Cânara dos Deputados, sobre o uso de passaportes diplomáticos por políticos e seus familiares: "O Brasil tem coisa mais importante para discutir nesse momento e é um absurdo estar preocupado com isso".
De certo que, dentre tanta coisa importante a ser discutida no Brasil, uma delas, sem dúvida, é a impunidade da classe política, sua compulsão à mentira, à corrupção, aos desvios éticos, e a eterna mania de gozar de privilégios imorais. Um deles é justamente o dos tais passaportes diplomáticos. E o que é pior: sequer se trata de concessão de regalia para representar o país em algum fórum, evento ou mesmo alguma reunião de interesse do país em organismos internacionais. Trata-se de uma concessão para parlamentares e FAMILIARES fazerem turismo. Turismo à custa do povo.
Em países sérios, não se tem notícia de políticos se valerem tanto de seus mandatos para usurparem benesses à custa da sociedade como no Brasil. Não por outra razão os classifico de vampiros alguns, gigolôs aos outros. Raríssimas seriam as exceções, se ainda houver.
É um acinte ouvi-los falar de ética se autoconcedendo aumentos de 62,0% contra inflação de 20%, como da mesma forma é uma aberração o senhor Mantega dizer que vetará qualquer aumento do salário mínimo superior ao que o governo já concedeu, e que já é menor que a inflação registrada em 2010. E Mantega, a exemplo de todos os demais ministros, teve um generoso aumento de 130%!!!!
Assim, fica claro que as expressões gigolôs e vampiros, como os classifico, sequer poderá causar-lhes algum desconforto. Cada repulsivo ato de uns e outros mais assegura e afirma aquilo que realmente são.
Manter inalterada a tabela do imposto de renda, já defasada como se sabe em cerca de 70%, e corrigir o salário mínimo abaixo da inflação que, por sinal, teve a colaboração direta do governo federal que acabou gastando além da conta, deve ser para o senhor Marco Maia assunto menos importante a ser discutido, além das regalias dos aumentos indecentes para os Congressistas, Ministros e Presidente. Talvez para este vampirinho de araque importante seja a discussão em torno de cargos e os gordos orçamentos em volta de cada um eles, que representariam gordas oportunidades de enriquecimento às custas da sociedade.
Se a educação, saúde, segurança, transportes vão mal, não é por falta de recursos. Trata-se apenas de serviços de pouca importância para os políticos brasileiros, porque para esta classe faminta o que importa é o quanto eles podem se apropriar da riqueza que o país produz, para seu único e exclusivo benefício.
E aí está toda a diferença: enquanto a sociedade quer discutir qualidade dos serviços públicos e uso racional de recursos para benefício de todos, pessoas como Marco Maia estão preocupadas em como repartir regalias, privilégios e recursos do Estado para usufruto deles próprios, nossos vampiros e gigolôs.
Vai ver que é por este policiamento permanente da imprensa, que não os deixa agirem livres e impunes, que a canalha toda tem ódio à imprensa que, no dizer de um dos filhos de Lula, se converteu em imprensa golpista. “Golpista” entendida assim como sendo a imprensa que não se curva à patifaria e denuncia de forma clara as malvadezas de uma classe corrompida e degrada.
Cada qual com seu cada qual: para a sociedade, importante é ver o bom uso do seu dinheiro em favor de todo o país, para os parlamentares como Marco Maia, Lula e Cia, importante é navegar na lama, sem fiscalização.
O que me impressiona no caso, não é o cometimento, por esta tropa, de crimes e mais crimes ou de autoconcessão em abundância irrefreável de privilégios e regalias às custas do Erário. É a capacidade de tentarem qualificar em crimes menores sua indecência. Reparem lá no alto: Marco Maia não nega o privilégio e a imoralidade. Ele apenas acha que o crime é de menor importância. Ou seja, já que o crime é pequeno deixa rolar, como se a junção de todos os crimes menores que a classe política se acostumou a cometer, não fossem, em si, um escândalo continental. E seria interessante que o senhor Marco Maia e seus pares parassem para pensar num detalhe: por que razão será que a classe política desfruta de um índice horroroso de 92% de rejeição popular? Vai ver que, na ótica deles, a desmoralização perante a opinião pública é coisa menos importante. Dentre outras, esta é uma das razões pelas quais defendo que o voto não seja obrigatório. Um direito pode ser exercido ou não pelos indivíduos, jamais impostos. Pelo menos nas democracias...
Aliás, estas figuras ridículas da nossa política adotaram como prática rotineira a cultura implantada por Lula e seu partido: a de sempre tornar pequenos e sem importância quaisquer de seus crimes. Reduzindo à insignificância a prática delituosa e desqualificando seus acusadores, acreditam que isto os torna mais limpos, mais honestos, menos lixo moral do que realmente são. Talvez na aparência sim. Mas aquele índice de reprovação de 92% não deixa dúvidas: mesmo que o assunto caia no esquecimento da mídia, a desmoralização de toda a classe política permanece implacável perante a sociedade.
No dia em que, de fato, o povo se encher desta patifaria toda, e partir para o desaforo físico, talvez Marco Maia e demais figuras passem a dar importância para aquilo que é importante: a política deve servir ao país, não apenas aos políticos.