terça-feira, janeiro 11, 2011

Editor fala sobre proibição de livros de Paulo Coelho no Irã

Guilherme Freitas, O Globo

Reprodução

O escritor Paulo Coelho anunciou nesta segunda-feira em seu blog que o governo iraniano teria proibido seus livros no país. O autor de "O alquimista" publicou no site um email em que seu editor iraniano, Arash Hejazi, avisa que "o Ministério da Cultura e Orientação Islâmica do Irã baniu todas as suas obras" e que "nenhum livro com o nome de Paulo Coelho terá mais publicação autorizada no Irã". O editor atribui a informação a uma fonte no ministério. O governo iraniano não se manifestou sobre o assunto.

Em entrevista ao GLOBO por email, Hejazi relaciona a proibição com a perseguição que tem sofrido desde que testemunhou o assassinato de Neda Agha-Soltan em Teerã, em junho de 2009, durante os protestos contra a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, acusado de fraude pela oposição.

Formado em Medicina, ele estava perto de Neda no momento em que foi baleada, e pode ser visto tentando socorrê-la no vídeo que registrou a morte da ativista. O vídeo ganhou repercussão mundial na época, tornando-se símbolo da repressão no Irã. Depois disso, Hejazi se exilou em Londres, onde vive até hoje. De lá, soube que sua editora, a Caravan Books, foi fechada pelo governo no ano passado. Ele acredita que as manifestações de Coelho a seu favor provocaram a censura.

- Todos que comentaram sobre a morte de Neda ou outras mortes que ocorreram no mesmo período sofreram imensamente. Precisei deixar o país por segurança e a Caravan Books foi fechada por ordem do Ministério da Cultura, apenas porque testemunhei aquele crime horrível. Agora, parece que Paulo Coelho está pagando o preço por te me defendido naquela situação. Ele foi uma das primeiras pessoas a me identificar no vídeo. Paulo também já se manifestou a favor de Shirin Ebadi, a vencedora do Nobel da Paz de 2003, exilada por suas críticas à situação dos direitos humanos no Irã. Sua popularidade no país também pode ser uma questão. Minha experiência diz que este governo detesta qualquer um que é extremamente popular e não está sob seu controle - avalia Hejazi.

Os livros de Paulo Coelho são traduzidos no Irã desde 1998 e o autor estima já ter vendido seis milhões de exemplares no país, que tem uma população de cerca de 70 milhões de pessoas.

Paulo Coelho e Arash Hejazi