terça-feira, janeiro 11, 2011

Dilma está pagando prá ver a reação do PMDB. Pode custar caro.

Adelson Elias Vasconcellos

Há de se reconhecer um método e um desafio por detrás das escolhas feitas pela presidente Dilma, seja para o primeiro quanto para o segundo escalão. Dilma testa até aonde vai a resistência do PMDB em não se rebelar pelas escolhas feitas sempre em favor do PT, sempre concedendo ao PT mais espaço no poder do que a que o partido teve com Lula.

É um risco, sem dúvida. Dilma deve lembrar-se de que precisará do Congresso e, neste caso, abrir brechas para atritos futuros, pode ser um jogo perigoso. Ou o caminho para se desvencilhar do ranço deixado por Lula na formação do ministério. Fala-se abertamente que, em Abril, Nelson Jobim cairá fora e que até estaria se oferecendo para ser embaixador na França. Ridículo? Nem tanto, desta floresta pode sair qualquer coisa.

De qualquer forma, esta atitude de oferecer mais espaço para o PT, em restrição ao PMDB, é um arrojo com o qual os peemedebistas não contavam. Foram pegos de surpresa. E, de certa forma, ainda tateiam uma saída honrosa, buscando uma forma de pressionar Dilma Rousseff para que atenda aos apelos do partido.

Assim, entendo que este leque de composição partidária que ajudou a eleger Dilma Rousseff não resistirá unido por muito tempo. Se é uma coisa que o eterno aliado do poder aprendeu nestes anos todos foi saber sobreviver às intempéries para se manter no topo. Não se tornou o maior partido representativo da política brasileira e ainda tem se mantido, a troco de ingenuidades.

Claro que a ansiedade de ocupar espaços ou ao menos de manter aqueles que já havia conquistado, o faz precipitar um jogo que, melhor pensado, poderia render bons frutos até no curto prazo. A partir de fevereiro, porém, o jogo muda, o Congresso começa a votar projetos de interesse do Planalto e, neste xadrez, o PMDB tem um enorme peso a seu favor. Ninguém, ao longo dos anos, foi mais fisiológico do que ele. Ninguém soube praticar chantagens políticas com melhor maestria do que ele. Claro que o PT também ganhou musculatura, mas não tem autonomia de voo para prescindir do parceiro, do principal parceiro acrescente-se.

Vai ser bonito de ver o fisiologismo peemedebista, e a teimosia birrenta da empossada, conjugada com a fome de poder de seu partido. Se alguém imaginava um governo meio sem emoção, não perde por esperar. Até aqui, com o Congresso em recesso, lidando nas trincheiras do poder, e amparada e escondida por um núcleo partidário fiel, Dilma pode fazer o desaforo que bem entender. Porém, de fevereiro em diante, a exposição será aberta e franqueada. Se não tiver cartas na manga para oferecer como bônus, ganhará uma oposição de verdade que talvez não imaginasse ter.

O fisiológico PMDB jamais se contentou com pouco. Lula pagou alto preço no primeiro mandato por insistir com o enfrentamento. Que Dilma não resvale pelo mesmo erro. Quem perde não é ela, é o país.