Adelson Elias Vasconcellos
Há um ano, quando a presidente Dilma fixou o salário mínimo em R$ 545,00, e nada além disto, se disse que o valor era fruto de uma fórmula ajustada por Lula com os sindicatos e centrais. Comentei e provei que o acordo era uma falácia e o embuste escondia um confisco cada vez mais agressivo de parte do governo federal sobre as rendas menores dos trabalhadores.
No artigo publicado (link abaixo), apresentei um quadro histórico da evolução do salário mínimo comparado ao do imposto de renda na fonte para desqualificar com fatos, e não conversa fiada, que a propaganda dos “aumentos reais” de que o governo petista se ufana tanto, na verdade, era pura lorota.
Se de um lado, Lula deu continuidade à política de recuperação do poder de compra do salário mínimo iniciada por Fernando Henrique, de outro, aplicou um garrote duro e contínuo de verdadeiro confisco, via Imposto de renda na fonte. Ao assumir em 2003, a isenção de imposto ia até 5,29 salários mínimos. Ao transferir o bastão para Dilma, o garrote iniciava já em menos de 3 salários, mais precisamente, em 2,96 salários mínimos. E para não contrariar a política de confisco inaugurada por Lula, a atual presidente prosseguiu no assalto, tanto em 2011 quanto agora.
Em resumo, o que temos é o seguinte:
Em 2002 (último ano de FHC)
Salário mínimo - R$ 200,00
Faixa de isenção de IRF : até R$ 1.058,00 ou até 5,29 salários mínimo
Em 2010 (último ano de Lula):
Salário mínimo: R$ 510,00
Faixa de isenção do IRF: até R$ 1.499,15 ou 2,94 salários mínimos
Em 2011 (primeiro ano de Dilma):
Isentos de IRF: até R$ 1.566,61 ou 2,87 salários mínimos
Em 2012 (segundo ano de Dilma ou o décimo do governo petista)
Salário Mínimo: R$ 622,00
Isentos de IRF: até R$ 1.637,11 ou 2,63 salários mínimos
Ou seja, em dez anos de governo petista, a massa de trabalhadores que passaram a ter seu salário tributado na fonte, praticamente dobrou. E eles ainda fazem propaganda sobre o aumento real do salário, mas ignoram e mentem quanto ao confisco. E a imprensa o que diz? E as centrais sindicais, o que falam? E os sindicatos, como se declaram? Como diria Nelson Rodrigues, dinheiro no Brasil compra até amor verdadeiro...
Já nem vou me referir as não opiniões da turma da oposição que, ao que parece, mudaram de país. Por aqui, não apenas ela deixou de existir, mas tornou-se desprezível! Quanto aos esquerdistas empedernidos, nem percam tempo em tentar contra argumentar: basta que demonstrem, se puderem, que os números acima são mentirosos...
Ou seja, no governo do Partido dos Trabalhadores é cada vez maior o número de assalariados que passaram a pagar imposto de renda na fonte, já que a correção do salário foi maior do que a da tabela do imposto de renda na fonte.
Mas o confisco fica ainda mais evidente se os leitores analisarem a série histórica que publicamos no artigo de 2011 (ver link abaixo) acompanhando, ano após ano, o nº de salários isentos do imposto.
Ou seja, enquanto o salário mínimo cresceu no período de R$ 100,00, em 1995, para R$ 622,00, em 2012, representando um acréscimo de 522%, a faixa de isenção foi ampliada de R$ 676,70, em 1995, para R$ 1.637,11, em 2012, representando uma correção de apenas 141,93%.
Conforme aquele texto de 2011 lembrava, (...) “...Se a gente observar apenas o período do governo Lula, a partir de 2003, veremos que o confisco foi brutal. O “pai dos pobres”, ao assumir, encontrou uma faixa de isenção de imposto de renda na fonte de até 5,29 salários mínimos. Ao entregar o mandato, a faixa de isenção caíra para ridículos 2,94 salários mínimos. Ou seja, enquanto Lula concedia aumentos reais de salário mínimo e disto fazia enorme propaganda e barulho, de outro, e sem propaganda, se apropriava de parcela cada vez mais significativas dos salários na forma de imposto na fonte”.(...)
Os números estão aí e demonstram, claramente, que Lula foi implacável contra os pobres. Seu governo confiscou os salários de tal forma que, todo o aumento real acabou corroído pela inflação de um lado, e pela tributação infame e impiedosa, de outro. E mais: a continuar a festa do confisco patrocinada pelos governos petistas, logo logo estarão isentos de imposto apenas os rendimentos provenientes do Bolsa Família. É o que se pode chamar de redistribuição de renda às avessas, bastando comparar o confisco sobre os rendimentos dos assalariados com os ganhos do sistema bancário, estes cada vez maiores (e mais isentos).
E, claro, fica a pergunta de sempre: por que o país todo se cala diante deste verdadeiro crime contra os mais pobres, aqueles que realmente trabalham e constroem e carregam o país todo nas costas? O que esperam ganhar com a omissão? De certo, alguma comissão deve servir-lhes de cala-a-boca!!! Porque, senhores, fazer festa com o tamanho do PIB até é fácil, mas mostrar que toda esta riqueza permanece concentrada nas mãos dos mesmos gigolôs, aí é preciso ter caráter, não só coragem...
(*) Clique aqui e reveja a evolução histórica do salário mínimo e da tabela do imposto de renda na fonte, a partir de 1995.