Comentando a Notícia
É inacreditável: com o governo federal batendo recordes de arrecadação, apenas em 2011, por exemplo, ela cresceu, descontada a inflação em níveis superiores a 10%, diante de um PIB que variou positivamente não mais do que 3%, segundo previsões mais otimistas.
Se incompetência pouca fosse bobagem, também durante 2011, conforme já informamos aqui, o governo teve mais gastos do que investimentos. E, de lambuja, nunca o nível de desempregados foi tão baixo.
Mesmo diante deste quadro fabuloso, o governo de dona Dilma Rousseff, a gerentona, a soberana de enorme competência, que dá pito em qualquer ministro ou auxiliar, não respeitando nem hora e local, teve o desplante de atrasar o pagamento de parcelas de seguro-desemprego. Parece absurdo, não é mesmo?
A desculpa, conforme vocês lerão no texto de Marcelo Rehder, para O Estado de S. Paulo, e que não poderia ser de “falta de recursos” o que seria uma aberração e completa desmoralização, não foi mais porca talvez por falta de uma desculpa mais cretina ainda: “mudança no sistema”.
Não é a primeira vez que este tipo de absurdo acontece neste governo. Recentemente, informamos aqui que as faculdades que mantém bolsistas do PROUNI, ameaçavam vedar o ingresso dos alunos por uma dívida acumulada em mais de 500 milhões, que o governo deixara de honrar. A desculpa? Mudança no agente repassador. Antes, quem administrava os pagamentos era a Caixa Econômica Federal. Não satisfeito de que nunca houvera problemas, o MEC, sob o comando de Haddad (olhe ele aí, de novo!), resolveu assumir a tarefa. Resultado: os pagamentos ficaram atrasados e, tudo por culpa da “mudança de sistema”.
Talvez se mudar o governo, ao invés dos sistemas, o governo federal volte a operar sem sustos nem “problemas”. Pobre dos desempregados brasileiros que precisam contar com a competência nula de um governo nulo. Se a gente pensar no mais absurdo dos absurdos, com a chance alguma de acontecer, não se preocupe: o governo petista se encarrega de nos surpreender e cometer um desatino atrás do outro. Neste campo, não só eles se superam sempre, mas são insuperáveis.
Segue o texto.
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Desempregados enfrentam dificuldades para sacar o benefício; Ministério do Trabalho diz que houve problema com mudança de sistema operacional
Trabalhadores demitidos sem justa causa em 2011 estão com dificuldades para receber o seguro-desemprego. Ao tentar sacar o dinheiro do benefício, o desempregado é informado que a parcela não existe ou não foi liberada ainda. Como justificativa, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) diz que a migração do banco de dados do seguro-desemprego para novo sistema operacional provocou problemas pontuais que podem atrasar o pagamento do benefício.
O administrador de empresas Ricardo Gomes da Silva, que mora na capital paulista, perdeu o emprego em setembro e até agora só recebeu duas das cinco parcelas do seguro-desemprego. O último benefício que ele conseguiu sacar foi liberado em 20 de novembro, já com atraso de dez dias.
Gomes da Silva tem conseguido se manter fazendo "bicos" e com a ajuda de familiares e amigos. Ele procuou a Delegacia Regional do Trabalho, na Lapa, zona oeste da cidade, mas não adiantou: foi informado de que não há previsão de data para a normalização dos pagamentos e aconselhado a consultar diariamente o sistema.
"Não sei mais o que fazer", queixa-se o desempregado. Ele conta que é separado e teme ser preso por atraso na pensão alimentícia da filha de quatro anos.
"É difícil para as pessoas entender o atraso no pagamento do seguro-desemprego, porque o benefício foi criado justamente para garantir que o trabalhador consiga se manter e manter sua família até que consiga um novo emprego", argumenta.
De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, o problema foi detectado na segunda quinzena de dezembro, quando se encerrou a transferência do último banco de dados para o novo sistema.
Os atrasos na liberação do seguro-desemprego afetam cerca de 3 mil beneficiários em todo o País, de um total de 2 milhões, segundo nota divulgada pelo ministério. "O MTE e a empresa responsável pelo desenvolvimento e manutenção do sistema têm monitorado o sistema e tomado todas as providências com a máxima urgência possível, diante de cada ocorrência", ressalta a nota.
Para acelerar o processo, o ministério orienta aos beneficiários que enfrentam dificuldades para receber o benefícios a procurar o posto de atendimento mais próximo. O valor das parcelas cujo pagamento for reprogramado será reajustado com base na nova tabela do seguro-desemprego (mínimo de R$ 622 e máximo de R$ 1.163,76), vigente desde 1.º de janeiro.
Cruzamento
Mas nem todos os casos de atraso podem ser atribuídos à mudança de sistema, ressalva o ministério. Cada caso deve ser analisado individualmente.
O novo sistema permite o cruzamento das informações prestadas pelo trabalhador com diversas outras bases de dados oficiais, como o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e o Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS).
Por meio delas é possível se verificar a situação do vínculo empregatício, como o reemprego, bem como todas as informações necessárias à análise da solicitação do benefício. A cada liberação de nova parcela, o sistema faz essa conferência.