sábado, fevereiro 04, 2012

Indústria brasileira começou o ano com demissões e férias coletivas

Comentando a  Notícia

Desde 2006, ano de criação do blog COMENTANDO A NOTÍCIA, em diferentes ocasiões estamos alertando para um processo cruel que se está cometendo contra a indústria nacional. E atenção: não são imposições internacionais, não! Tudo fruto de um política desastrada na área econômica por parte do PT, se com declarada intenção ou por incompetência mesmo, é até difícil de avaliar. Talvez as duas juntas. Não importa. O fato é que a indústria nacional está perdendo espaço interno numa velocidade espantosa. Desnacionalização de um lado, e desindustrialização de outro. 

Diz o governo que as medidas que têm tomado seguem o que eles chamam de "política industrial". Só se for de irrelevância, porque além de já termos nos tornado insignificante no comércio internacional, dia a dia os produtos brasileiros estão sendo lentamente substituídos nas prateleiras por importados. Em apenas 6 anos, a nossa industria perdeu mais da metade de sua participação no Produto Interno Bruto. Só isto já seria sintomático dos erros e desacertos do governo, capazes de motivá-lo a rever seus critérios. Mas qual o quê: ao petê não interessa de onde vem o dinheiro, desde que não deixe de entrar. E não venham alegar que a agropecuária cresceu em relação à indústria dado o preço internacional das commodities. Conversa mole!  

Reparem que o consumo interno se mantém, de certa forma, bastante aquecido. Ora, quem está abastecendo este mercado? Os importados já que, como dissemos, a indústria vem cada vez mais perdendo espaço no PIB.

Pesquisem no arquivo do blog e vejam quantas já foram as grandes indústrias que fecharam as portas e foram se instalar em outros países, dada a dificuldade de sobreviver num país comandado pela bagunça, falta de planejamento, falta de incentivo e que carrega e sobrecarrega a produção industrial com um custo Brasil absurdo. Ou porque os senhores acham que os brasileiros torraram mais de 20 bilhões de dólares no exterior em 2011? Há uma reportagem da revista IstoÉ detalhando bem as razões para esta geração de empregos e riqueza lá fora. E nada a ver com o câmbio como quer o governo se justificar. O câmbio tem peso sim, mas não é, de maneira nenhuma,  o principal fator.  

A resposta é uma só: o Brasil ficou caro até para os padrões de países desenvolvidos, imaginem então para um padrão mediano como o nosso. Senhores, não há ganhos de produtividade suficiente que dê conta de devolver à indústria brasileira capacidade de competir. Ao menos não enquanto o PT se mantiver no poder. Esta gente é ruim de serviço que dói. 

E prestem atenção numa informação importante no texto abaixo.  Sabem aquela empresa,  a Foxconn, que está montando sua linha de produção de iPhones e iPad, já planeja reduzir seu quadro, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Jundiaí, no interior paulista, e olhem que o governo aprovou uma imensa gama de incentivos fiscais, inacessíveis às industrias brasileiras, para que eles aqui se instalassem. 

Nos próximos dias iremos publicar uma série de artigos fruto de imensa pesquisa feita com o objetivo de apontar quais gargalos estão provocando esta doença, chamada governo incompetente demais, que está minando as indústrias brasileiras em geral, que trabalham com imensa ociosidade, com sua maioria simplesmente estagnadas, além dos processos de desnacionalização e desindustrialização a que nos referimos acima. E, claro, as nossas autoridades tratam de negar e até de esconder esta triste realidade. Mas as estatísticas, mesmo sofrendo alguma forma de maquiagem, já vem dando sinais deste quadro triste. Sem falar no retrocesso ao tempo do protecionismo, reserva de mercado e outras baboseiras semelhantes em larga escala, e que o governo vem adotando já há algum tempo, trazendo de volta todas aquelas consequências nefastas por todos conhecidas, já que se trata de um filme muito antigo e que sabemos bem como acaba. Só este bando de estúpidos que desgovernam o país não se deu conta disto e vão insistir na prática das mesmas porcarias do passado.

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Dados preliminares apontam mais de 1700 demissões. Até Foxcoom, que vai produzir iphones e ipads, já planejaria cortes

SÃO PAULO e BRASÍLIA - A indústria brasileira começou o ano com demissão de trabalhadores e férias coletivas. Num levantamento preliminar, foram 1.720 dispensas. Houve cortes em São Paulo e na Zona Franca de Manaus e eles não se limitam a um setor. Vão de montadoras a fabricantes de autopeças (como GM e Bosch) e a companhias de eletroeletrônicos. Até a Foxconn, que está montando sua linha de produção de iPhones e iPad, planejaria reduzir seu quadro, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Jundiaí, no interior paulista. As demissões refletem a estagnação que a indústria vem enfrentando desde o ano passado.

No estado de São Paulo, a General Motors e quatro fabricantes de autopeças dispensaram operários. O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos acusa a GM de ter demitido 800 trabalhadores nos últimos três meses. A fábrica, que tinha nove mil funcionários, emprega agora 8.200. Somente neste ano, 80 foram dispensados. Em Brasília, Luiz Moan, diretor de assuntos institucionais da GM, afirma que não houve demissão em massa na fábrica. Segundo ele, houve apenas um Programa de Demissões Voluntárias (PDV) em outubro. "Não houve nada novo desde o PDV", diz Moan.

Na última quinta-feira, os metalúrgicos da cidade pararam por três horas pela manhã e por uma hora à tarde contra as demissões. Antônio de Barros, diretor do sindicato, acusa a GM de fazer reestruturação à força, demitindo funcionários com maiores salários, para contratar pagando menos.

Em Campinas, as dispensas atingiram empresas de autopeças. A Bosch demitiu 130 trabalhadores este ano. Na semana passada, foi a vez da Eaton, de câmbio e transmissões, cortar 70 trabalhadores. As demissões na Magneti Marelli e na Benteler ocorreram na virada do ano. De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos, as empresas dispensaram 150 trabalhadores.

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Jundiaí, a Foxconn, fabricante de iPhones, teria demitido pelo menos cem funcionários. A fábrica fica em frente à unidade onde serão montados os iPads a partir de abril.

Na LG Electronics, fabricante de telefones celulares, monitores e notebooks, em Taubaté, deram férias coletivas. Nesta semana, os trabalhadores chegaram a aprovar estado de greve. Segundo o sindicato, a LG alegou estar com queda na produção.

— A empresa anunciou hoje (sexta-feira) que 315 dos 2.300 trabalhadores estarão de licença de 20 de fevereiro a 1 de março. Desde janeiro a LG vinha sinalizando a demissão de mais 200 trabalhadores — disse o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté, Isaac do Carmo.

Também houve demissão no Amazonas. Segundo a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), 670 trabalhadores da Semp Toshiba foram demitidos nos últimos dois meses. Desse total, 520 demissões aconteceram nos últimos dez dias. A Semp Toshiba informou que houve uma "adequação natural de seu quadro de pessoal em vista da sazonalidade de mercado e da projeção de demanda para os próximos meses".

O superintendente da Suframa, Thomaz Nogueira, disse que a Semp-Toshiba chegou em outubro com 2.600, mas depois começou a demitir até chegar a 2005 trabalhadores, de acordo com ele. Há receio que as demissões cheguem na Philips do Brasil, já que a matriz informou que demitirá 4.500 trabalhadores até 2014.