Texto de Ana Lucia Valinho para O Globo, traz o modelo de democracia cultuado por Maria do Rosário, a Secretaria dos Direitos Humanos. Para ela, como de resto para Dilma, Lula e toda a nobreza petista, Cuba não tem problemas de direitos humanos. Lula comparou os dissidentes aos criminosos comuns do Brasil. Dilma não joga pedras porque todos têm problemas. Maria do Rosário desconversa sobre Cuba e prefere atacar Guantánamo e seus terroristas presos.
Por conta da visita do Papa Bento XVI, e para não atrapalhar o trânsito, aquela ditadura primorosa resolveu o problema dos dissidentes: resolveu prendê-los, para que incomodasse com suas queixas sobre liberdade, direitos humanos, etc.Sabem como os ditadores são humanistas: para que incomodar o Papa com coisas banais, quando ele está lá para cuidar das coisas do espírito, não é ? Já dos pobres corpos dos cubanos descontentes, os irmãos assassinos resolvem o problema rapidinho, prendem logo naqueles presídios super caprichados de imundície. A ideia é mostrar para o papa que “todos” são muitos felizes na ilha.
Segue o texto da Ana Lucia.
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Líder do grupo, Berta Soler diz que governo escolhe quem irá à missa de Bento XVI
AP
Berta Soler, ao centro: Damas de Branco tentarão chegar ao Papa
RIO — Para a porta-voz das Damas de Branco, Berta Soler, a visita do Papa Bento XVI a Cuba não terá grandes efeitos na situação dos dissidentes do país. Mesmo assim, a ativista pede por "um minuto" de contato com Joseph Ratzinger, para pelo menos lhe entregar uma relação com os nomes de 46 presos políticos, na esperança de que ele interceda por um indulto junto ao governo do presidente Raúl Castro. Ela sabe que essa é uma tarefa difícil. As Damas de Branco pediram um encontro com o Papa, que chega na tarde desta segunda-feira em Cuba, mas até agora não receberam resposta alguma. Apesar da repressão, que impede a viagem de dissidentes até pontos em que Bento XVI estará, elas pretendem na quarta-feira tentar chegar à praça de Havana onde ele celebrará uma missa: "Se não estivermos lá é porque fomos todas presas", afirma Berta ao GLOBO, por telefone. Segundo ela, o governo está promovendo uma operação para impedir que desde dissidentes até mendigos estejam no caminho de Bento XVI.
A senhora acredita que o Papa vai recebê-las?
BERTA SOLER: Até o momento não temos nenhuma resposta, nem positiva, nem negativa. Enviamos uma carta em 5 de dezembro de 2011 para o Vaticano. Estamos pedindo apenas um minuto. Um minuto para poder expressar a realidade do povo cubano. Temos a esperança de que quando o Santo Padre chegar em Cuba nos dará este minuto.
Qual o efeito das anistias promovidas pelo governo cubano desde o fim do ano passado? Foram só por causa da visita do Papa?
BERTA: A pressão interna em Cuba, junto com a pressão internacional, levou o governo de Cuba a um acordo com o governo da Espanha e com a Igreja Católica para libertar 52 homens, de um grupo de 75, e mais alguns presos. Foi como uma válvula de escape. O governo não fez nenhuma melhoria com relação à situação atual. Há muita repressão. Sua Santidade vai encontrar uma Cuba com muita repressão, muita violência e muita hostilidade por parte do governo.
O que o Papa poderia fazer de concreto pelas Damas de Branco e pelos outros dissidentes?
BERTA: O povo de Cuba necessita de paz, respeito aos direitos humanos e liberdade. A liberdade não depende do Santo Padre, depende de todos os cubanos. Mas o Santo Padre poderia influenciar em relação às prisões, com (pedido de) libertações, indulto. Quando João Paulo II veio a Cuba, ele falou sobre indulto e há a possibilidade de que Bento XVI pedir pelo indulto de muitos presos. Nós, das Damas de Branco, pedimos esse minuto (com o Papa) para lhe falar dos presos políticos. Fizemos uma lista com 46 presos políticos para que, se houver a possibilidade de indulto, eles possam ser beneficiados, ou todos ou pelo menos a maioria deles.
É verdade que no domingo algumas das integrantes do Damas de Branco foram presas por tentar se aproximar de Santiago de Cuba, cidade que o Papa visitará?
BERTA: Neste momento, temos 22 Damas de Branco presas na região por onde o Papa vai entrar no país. Uma dama de branco entrou no ônibus que ia para a vigília da concentração das pessoas que vão participar da missa e foi barrada. Também temos damas presas no leste do país. Em Matanzas, temos a notícia de uma dama de branco que foi presa hoje junto com seu marido. Há a Marta Fonseca que já está há 3 dias presa. Alexandrina da Sierra também estava vindo de Matanzas para cá e havia uma barreira a esperando. A situação atual é de muita repressão, pois são escolhidas as pessoas que o governo quer que vão à missa do Papa em Havana e em Santiago. Todos que vão incomodar estão afastados. Mendigos e bêbados já foram recolhidos das ruas para que o Papa não os veja. Querem que o Papa veja outra Cuba e não a real. As comunicações telefônicas, tanto fixa quanto móvel, já estão sendo cortadas para que impedir a comunicação dos ativistas dos direitos humanos. Essa é a situação que o Santo Padre vai encontrar.
Depois que o Papa sair de Cuba, a repressão vai piorar novamente?
BERTA: Tudo vai de mal a pior.
O que vocês farão caso o pedido de encontro não seja aceito?
BERTA: Nós, Damas de Branco, vamos fazer uma tentativa na quarta-feira, às 12h. Vamos nos reunir em um parque na esquina do terminal de ônibus aqui de Havana, muito perto da praça onde o Papa vai celebrar a missa. Se não chegarmos lá, é porque fomos todas presas. É muito importante saber que se as Damas de Branco não estiverem lá, às 12h em ponto, para partir para a praça é porque fomos todas presas.
A senhora acredita que todas vão ser realmente presas?
BERTA: Sim, eles têm os meios para fazer isso e já começaram a fazer há alguns dias.
