domingo, abril 01, 2012

Quanto menos governo, mais popular a presidente fica. Tem explicação? Tem sim, senhor!

Adelson Elias Vasconcellos
Nesta edição temos algumas joias não tão raras em matéria de governo petista: saneamento, casa às escuras e sem saneamento do Minha Casa Minha Vida, hospitais prontos e que não funcionam por falta de pessoal, apesar dos mais de 20 mil cargos de confiança e das centenas de concursos que vem sendo feitos. E, conforme se anuncia, nesta semana sai do forno nova pesquisa medindo a aprovação do governo Dilma e, segundo se antecipa, o índice só faz subir. Ou seja, quanto menos governo se tem, mais o governo é aprovado. 

Não brigo com números, só que estas medições podem ser manipuladas, conforme se comprovamos várias vezes.  Enquanto o Estado patrocinar a vagabundagem às custas de quem realmente trabalha, não pensem que a coisa tende a ser diferente. 

Além disto, entra semana sai semana e lá vem enxurrada de publicidades oficiais cantando as maravilhas de um país que nós gostaríamos que existisse, mas que não passa de ficção. 

Poderia encher linhas e mais linhas mostrando ao leitor todas as áreas onde não há governo, apesar da propaganda, demonstrando os estelionatos eleitorais do atual governo que, na campanha prometia maravilhas mas, que na realidade pós posse, já desistiu de muita coisa porque, ora porque, porque já estava eleito, bolas! Alguém imaginava diferente? Enganou-se quem quis porque não foi por falta de avisos que a situação fiscal do país, conduzida por Lula sob a coordenação de Dilma Rousseff, não permitiria cometer loucuras e desatinos. E é precisamente isto que se está vendo agora. Vamos para um ano e meio de governo, e o país não sai do lugar. Até pelo contrário: em muita coisa tem até andado para trás.

Na área econômica a fórmula mágica que o governo Dilma aponta para o curto prazo seria ótimo se não fosse incoerente ao último.  De um lado, vai se insistir em incentivar o consumo para uma indústria estagnada que não conseguirá atender a demanda nem que esteja produzindo a mil. Para que a inflação não exploda, este excesso de demanda terá que ser atendido pelas importações que o governo anuncia sobretaxas para “proteger” a indústria nacional. Ou seja, para não haver inflação o governo acabará penalizando o consumidor com produtos mais caros, os importados, que serão sobretaxadas. De sua parte, o governo Dilma continua apostando no PAC cada vez mais empacado. 

A conta fecha para um crescimento de 5% como a área econômica teima em apostar?De jeito nenhum, até porque há um limite em tudo e por tudo que se anuncia, se promete e se tem intenção de fazer: é ano de eleição, e o governo não irá se indispor com o eleitorado com medidas impopulares. Assim, aquelas reformas tão urgentes quanto indispensáveis para  dar sustentabilidade ao nosso desenvolvimento, bye, bye. Não sairão de jeito nenhum, e assim temos: pela fórmula, crescimento a qualquer preço, não haverá como fugir da inflação. Ou o governo freia o consumo, seja da população como o seu também, reduzindo a expectativa de crescimento, e assegura a contenção da inflação, ou logo a coisa toda periga fugir ao controle.

O governo Dilma, como se vê continua desfocado, sem direção, agindo no improviso, ao sabor dos ventos. Mas a propaganda, ah a propaganda não conta a verdade, e como a oposição continua covarde, sem dizer a que veio, não contraditório. 

E por que a aprovação cresce? Não se trata apenas da propaganda, seja em peças oficiais seja pela cooptação de inúmeros órgãos de imprensa via verbas publicitária do governo e das estatais. 

Outro fator que pesa muito é o fato de que o brasileiro continua sendo um povo que lê pouco. Apenas para se ter dimensão exata vejam a reportagem do Estadão: 75% da população nunca pôs os pés numa biblioteca. Aliás, este é o índice de analfabetos funcionais do país. Assim, o estudo está coerente. Mas não fica nisso: destes 25% que frequentam bibliotecas, metade no máximo compra 2 livros por ano!!! O número de leitores, o estudo também comprova, vem caindo ano após ano. 

A grande maioria, 85% dos entrevistados, aponta a televisão como ocupação principal nas horas livres. A leitura aparece como a 7ª escolhida nas preferências. 

O que estes dados revelam? Simples: o povo brasileiro continua sendo desinformado, não acompanha a vida de seu país e não cobra de seus representantes atuações para seu benefício. Há como um misto de desencanto e alienação, do tipo, não adianta reclamar, nada vai mudar. 

Como mais de um quarto do país vive à custa do Bolsa Família, não fica difícil entender que este dado somado à desinformação com propaganda enganosa, manterá qualquer governo com aprovação em alta. 

Houvesse interesse maior em se acompanhar o que acontece no país, além da indispensável cobrança às autoridades tendo em vista o degradante transporte coletivo, a total falta de segurança com o aumento descontrolado da criminalidade,  afora o péssimo estado das estradas e terminais aeroportuários, este índice cairia à metade. Porque tudo isso é obrigação do governo, a responsabilidade pelo péssimo serviço público prestado à população é decorrência ou omissão ou da incompetência do governo federal. Não se trata de ser o governo uma coisa, e o serviço público outra. Uma é consequência direta da outra. 

Portanto, em nada me surpreende que, quanto menos governo o país tem, quanto mais ausente ele se encontra, mais a aprovação tende a crescer. E tal estado de coisas está na raiz do método de esfacelamento das instituições. 

Seria saudável para o país que a presidente Dilma refletisse na seguinte questão: desde que assumiu, já foram três pacotes de medidas para alavancar a produção industrial interna e, ao contrário do imaginado e desejado, a atividade só vem decaindo, perdendo espaço dentro e fora do país. Ora, será que se está olhando para a direção certa?  Ou será que se está trabalhando com as verdadeiras causas nas mãos? 

Além disso, é visível que em matéria de inovação o Brasil está ficando para trás, e ATENÇÃO, se comparado apenas aos parceiros do BRICS. E sabem por quê? Pelas simples razões: de um lado,  o capital financeiro que as empresas poderiam investir em pesquisa e modernização, está consumido pelo próprio governo, seja por conta da carga tributária seja por conta de que os insumos básicos no país sejam os mais altos do mundo. De outro lado, o capital humano está saindo para fora daqui, buscando melhor formação em países onde a educação é levada a sério. De cada 10, pelo menos 6 acabam ficando lá fora e não voltam mais. E, uma vez mais, a raiz do problema chama-se governo incompetente e omisso. 

O pior deste índice de aprovação em alta é mascarar a própria realidade do governo e as consequências da atuação ruim para o futuro do país. Infelizmente, não estamos sabendo avaliar estas consequências. E, quanto mais o governo petista preocupar-se apenas com sua aprovação, mais o futuro do Brasil vai se comprometendo. Talvez, quando não houver mais possibilidade de reverter o quadro, a gente venha despertar desta inanição. Então, nos daremos conta das inúmeras oportunidades jogadas fora.