terça-feira, maio 01, 2012

Uma no cravo e outra na ferradura... no lombo do trabalhador.


Comentando a Notícia

Há coisa de um a dois meses atrás, a CUT fez um movimento reivindicatório no sentido de conseguirem a isenção do imposto de renda incidente sobre  a participação no lucros das empresas.

No discurso e na aparência parece tudo muito bom, tudo muito certo, tudo muito justo. Será mesmo? Ora, uma das maiores aberrações do sistema tributário  brasileiro é justamente a tributação sobre trabalho e produção ser maior do que sobre o capital. 

O que é lucro afinal, acaso não é participação em resultados tributáveis das empresas? Quantos são os empregados no Brasil que gozam deste benefício? Acreditem, trata-se de uma ínfima parte. 

Ora,  se a turma da CUT está tão preocupada com imposto de renda, por que não se preocupa, por exemplo, em reivindicar que o IRF sobre os salários volte a isentar até 5 salários mínimos, como era quando o petê chegou ao poder, e que agora já incide sobre 2,86 salários, um verdadeiro confisco vergonhoso sobre a massa trabalhadora mais humilde? 

Este, sim, seria um movimento legítimo, justo, que implicaria em benefício de milhões de brasileiros e com implicações diretas sobre a economia, já que seriam bilhões de reais que reverteriam em consumo e melhor qualidade de vida para o trabalhador e sua família.  Por que esta mania no Brasil de se reivindicar benefícios e privilégios para quem ganha mais, e sobre resultados, lucros, impondo carga onerosa de tributos sobre a grande massa assalariada, os que ganham menos? 

Até pela declaração estúpida de Gilberto Carvalho,  secretário geral da Presidência, parece que a reivindicação já é um projeto bem andado e contando com apoio do governo federal.  Pergunto de novo: é justo beneficiar os que ganham mais, em detrimento dos que contam apenas com dois ou três salários mínimos, que é a maioria da classe trabalhadora que, além de contar com os péssimos serviços públicos, precisam ser assaltados já a partir de 2,86 salários com a incidência de imposto de renda na fonte?  

Seria interessante que as demais centrais sindicais e os sindicatos a elas filiados refletissem melhor sobre o que sendo pedido ao governo federal.  Não me parecesse que isentar participação nos lucros seja mais justo e possam beneficiar um número maior de trabalhadores do que elevação da isenção do imposto de renda que o governo petista, ano após ano, vem reduzindo mais e mais, numa verdadeira extorsão repulsiva sobre os menores salários.

Prá variar, a CUT que diz defender os trabalhadores, está pensando apenas nos seus pelegos, e como sempre, crava uma tremenda ferradura na testa da maioria dos que trabalham no Brasil. 

Segue a reportagem de Beatriz Bulla e Daiene Cardoso, para a Agência Estado

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Governo aceita discutir isenção de parte de IR sobre PLR

Dilma deve se reunir com as centrais sindicais nesta quinta-feira para tentar acordo, mas isenção completa do imposto sobre a Participação nos Lucros e Resultados está descartada

SÃO PAULO - Nas festas de comemoração deste 1º de Maio em São Paulo, o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, anunciou que o governo aceitou discutir com as centrais sindicais a concessão de isenção de parte do Imposto de Renda sobre a Participação nos Lucros e Resultados (PLR).

"Falta a gente chegar, essa semana ainda, a um número para o acordo entre o governo e as centrais sindicais", disse o ministro. A presidente Dilma Rousseff deve se reunir com as centrais nesta quinta-feira, 3, para tentar chegar a um acordo sobre a proposta, mas Carvalho adiantou que não haverá isenção completa de imposto sobre a PLR. "Não chegaremos ao que as centrais querem, mas chegaremos a um número médio", avisou o ministro.

De acordo com Carvalho, a presidente Dilma Rousseff está convencida de que a medida pode ajudar a aquecer a economia interna. "Sabemos que este dinheiro, no bolso do trabalhador, é uma injeção na veia do mercado", afirmou.

O ministro repetiu o discurso no evento organizado pela Força Sindical, na manhã desta terça-feira na praça Campos de Bagatelle, e na comemoração promovida pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), no Vale do Anhangabaú. Gilberto Carvalho destacou que o Brasil vive uma situação diferente do resto do mundo. "Aqui nós celebramos o pleno emprego", disse.

Ao apresentar o futuro ministro do Trabalho, deputado federal Brizola Neto, na festa da CUT, Carvalho reiterou a disposição do governo com a isenção do imposto de renda sobre a participação nos lucros. "É dessa forma, negociando, que construímos um País democrático", disse.

O encontro da presidente com as centrais sindicais vai acontecer no mesmo dia da posse de Brizola Neto no Ministério do Trabalho.