Míriam Leitão
O Globo
A economia brasileira parou. É o que se vê no número divulgado pelo Banco Central. O Índice de Atividade Econômica do BC em maio deu -0,02%. Isso não é queda, muito menos alta. Isso é estagnação. Quando a conta é feita em 12 meses, o número não é muito acima de 1%.
A esperança de que no trimestre houvesse uma recuperação da economia pode ser arquivada. O número será fraco novamente. Agora, as expectativas de recuperação se moveram para o segundo semestre. Com mais segurança para o último trimestre do ano.
Esse momento de recuperação tem sido postergado, alertou o economista Eduardo Giannetti da Fonseca, que entrevistei em São Paulo. Ele acha que ainda não se tem certeza de quando a economia retomará o ritmo.
A pergunta é: por que parou? Uma das respostas é, claro, a crise internacional. Mas ela não responde tudo, até porque a Europa tem estado em crise desde 2008, e o Brasil teve vários níveis diferentes de crescimento.
Sempre que cresce, o país não sustenta o crescimento. Ele cresce puxado pelo mundo e depois para, quando não vem mais combustível de fora. Tudo que o aumento do consumo interno conseguiu foi atenuar o efeito do impacto de fora.
Neste período, disse-me Giannetti da Fonseca ao me servir um cafezinho e antes de a equipe da TV chegar, o Brasil viveu uma melhoria forte dos termos de troca e uma virada no balanço de transações correntes. Ou seja, nossos produtos ficaram mais valorizados no mercado internacional e, por isso, o Brasil recebeu mais pelas suas exportações; e, no mesmo período, o país saiu de um superávit nas contas externas para um déficit.
— Significa que o mundo nos financiou dessas duas formas. O problema é que isso não continuará aumentando. As commodities que exportamos não vão ficar mais caras, pelo contrário, começam a cair; e o déficit tem que se estabilizar — disse o economista.
Trocando em miúdos: o mundo não vai ajudar e ainda pode atrapalhar mais.
Mais do que nunca, o Brasil precisa enfrentar seus velhos problemas sempre deixados para depois. Aumentar a poupança interna, elevar o investimento, remover os gargalos. A lista é a mesma de sempre. Nenhuma novidade. Em vez de encarar a lista do que fazer, o governo tenta contornar os obstáculos com pacotinhos setoriais. Fez nove e prepara o décimo.