Julio Wiziack
Folha de São Paulo
O problema de perda de qualidade de serviço com a expansão da base de clientes não é exclusivo das teles.
Desde a privatização da Telebrás, a União adia a discussão de um projeto de lei que uniformize a concessão de licenças para a construção de antenas de celular e o uso do solo para a passagem dos cabos ópticos.
Resultado: com taxas de crescimento de clientes em alta ininterrupta, as teles chegam a esperar até três anos por uma simples licença de antena.
E, a cada nova torre a ser erguida, elas precisam repetir os mesmos passos da burocracia, que varia de acordo com a cidade.
Com os planos de salto tecnológico da telefonia 3G para 4G, o governo federal começou a trabalhar em uma legislação única.
A União sabe que, se nada for feito, não será possível mostrar ao mundo como funciona o "4G à brasileira" na Copa das Confederações, em 2013, e na Copa de 2014.
Isso porque, para inaugurar o novo serviço no país, cada operadora terá de construir entre três e quatro antenas para conseguir a mesma cobertura hoje oferecida por uma antena 3G.
****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Ontem já comentamos esta demora em relação as licenças para instalação de antenas. Porto Alegre é a capital do atraso neste aspecto. Por quê? Ninguém responde, ninguém justifica, ninguém do Poder Público se interessa. Claro que as operadoras, de uma forma ou de outra, devem ser responsabilizadas pela má qualidade dos serviços.
Porém, nada justifica que uma simples licença demande tanto tempo para ser concedida. Até porque são milhões de brasileiros que acabam afetados. Mas como burocracia no Brasil é algo insuperável por outro lugar do mundo, ficamos refém deste jogo de empurra entre as operadoras e o Poder Público que, é bom que se diga, tem culpa tanto pela burocracia para concessão de licenças de instalação quanto pela falta de ação fiscalizadora. Deveriam ter agido há muito mais tempo para impedir que a situação chegasse a este ponto extremo.
Vejam lá no alto o que informa a Folha: desde a privatização da Telebrás, a União adia a discussão de um projeto de lei que uniformize a concessão de licenças para a construção de antenas de celular e o uso do solo para a passagem dos cabos ópticos.