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Sabrina Craide, da Agência Brasil
Segundo documento produzido pela agência, as quedas de chamadas do Plano Infinity são quatro vezes maiores que de outros planos da operadora
Robson Ventura/EXAME.com
Usuário fala ao celular: relatório da Anatel que sugere que a
TIM derruba chamadas do plano Infinity propositalmente ainda é preliminar
Brasília – O presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), João Rezende, disse hoje (7) que o relatório de fiscalização da agência que mostra uma queda maior de chamadas no Plano Infinity da TIM, em relação a outros planos, ainda é preliminar e a empresa terá direito de se defender. “Não tem julgamento de mérito ainda, precisamos esperar que a área técnica faça seu trabalho, a superintendência vai julgar o processo e depois será analisado pelo Conselho Diretor”.
Segundo relatório de fiscalização da agência, as quedas de chamadas do Plano Infinity são quatro vezes maiores que de outros planos da operadora. No Infinity, o usuário paga pela ligação e não pelos minutos de chamadas. “Existe um acréscimo de 300% de quedas das chamadas provenientes de tarifação por ligação em comparação com as de tarifação por minuto”, diz o documento da Anatel, que integra o procedimento administrativo para averiguar descumprimento de obrigações.
João Rezende não informou que tipo de punição a TIM poderá receber se for detectado tratamento diferenciado dos usuários. O superintendente de Serviços Privados da Anatel, Bruno Ramos, disse que a fiscalização da Anatel ainda não chegou a uma conclusão sobre as causas das quedas de chamadas. “Não temos posição se ocorreu determinada ação de conduta com relação [aos planos] Infinity e Liberty. Isso não existe ainda, a empresa vai se defender e nós vamos analisar a defesa dela”
O relatório também diz que a TIM trata de forma desigual os clientes do Plano Infinity e dos demais planos da operadora. “Em consequência, os usuários do Plano Infinity são obrigados a realizar novas ligações para completar as comunicações”.
Segundo a Anatel, o processo ainda está em fase de instrução. “Somente após a regular tramitação do processo, com direito ao contraditório e à ampla defesa da prestadora, a agência irá deliberar sobre o assunto e adotará as providências legais e regulamentares cabíveis”, informa a Anatel, em nota.
O Ministério Público (MP) do Paraná ingressou hoje (6) com ação judicial solicitando a suspensão das vendas de chips da TIM Celular no estado.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Reparem no seguinte: primeiro, a ANATEL levanta uma acusação grave contra a operadora TIM, afirmando que a companhia "derrubava as chamadas propositalmente". Depois, a direção da TIM reage energicamente contra a acusação, reconhecendo viver problemas operacionais mas nunca adotando o comportamento que a ANATEL lhe imputara. Aí, alguém da ANATEL resolve vir com o papo de que o relatório não era\ conclusivo, era apenas preliminar.
Ora, se era preliminar, por conta do que a ANATEL se apressou em acusar a TIM de, propositalmente, derrubar as chamadas de seus usuários? A TIM não é uma empresa de fundo de quintal, deve satisfação aos seus clientes, fornecedores e acionistas. Não pode ter seu conceito encharcado com base em relatórios preliminares. A ANATEL deveria, no caso, e de maneira cuidadosa, com base neste tal relatório "preliminar" chamar a direção da operadora para cobrar explicações. E, somente após ter um diagnóstico final, externar o que de fato estaria acontecendo.
Portanto, é bom a ANATEL parar de jogar para torcida, e tratar este assunto com mais responsabilidade, buscando resolver problemas e não agravá-los fazendo intriga contra as operadoras. .
