domingo, agosto 26, 2012

Morre Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar na Lua

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Aos 82 anos, astronauta havia sido submetido a uma cirurgia no coração

Comandante Neil Armstrong em 1969 - NASA

O astronauta americano Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar na Lua, morreu aos 82 anos, conforme informou a imprensa dos Estados Unidos neste sábado. A informação foi confirmada pela família dele, em nota à imprensa divulgada em seguida. No começo deste mês, Armstrong tinha sido submetido a uma cirurgia no coração para desobstruir artérias coronárias.

"Estamos de coração partido ao dividir a notícia de que Neil Armstrong faleceu após complicações ligadas a procedimentos cardiovasculares", diz a nota da família. "Neil foi um marido, pai, avó, irmão e amigo amoroso." Ele vivia na área de Cincinnati com a mulher, Carol.

Lembrado como "um herói americano", parentes do astronauta destacaram que ele "serviu a Nação com orgulho, como piloto da Marinha, piloto de provas e astronauta". É dele a histórica frase: "É um pequeno passo para o homem e um salto gigante para a humanidade".


Armstrong saindo da Apollo 11 para pisar 
pela primeira vez na superfície lunar - Nasa / EFE

No Twitter, a Nasa ofereceu "seus sentimentos pela morte de Neil Armstrong, ex-piloto de testes, astronauta e primeiro homem na Lua." Como comandante da missão Apollo 11, de 20 de julho de 1969, Armstrong foi o encarregado de informar ao centro de controle de Houston (Texas) o pouso do módulo lunar (LEM) pilotado por Buzz Aldrin: "Houston, aqui a base da Tranquilidade. A águia pousou".


Armstrong deixa pegada de seu pé direito na Lua - Nasa / AFP

Há 43 anos, em 20 de julho de 1969, o astronauta americano Neil Armstrong tornou realidade o sonho mais antigo das civilizações e se tornou o primeiro homem a pisar na Lua. Aos olhos atentos de 500 milhões de telespectadores ao redor do mundo, Armstrong - que morreu neste sábado aos 82 anos - desceu do módulo aterrissado sobre a superfície lunar. "Este é um pequeno passo para um homem, mas é um grande salto para a humanidade", disse Armstrong com a voz levemente distorcida pela distância e pelos equipamentos de comunicação, uma frase que ficou gravada nos livros de história.

Em plena Guerra Fria, o programa Apollo provou a supremacia tecnológica dos Estados Unidos na corrida espacial. Colocar uma bandeira americana na superfície da Lua em 1969 marcou pontos muito importantes sobre a União Soviética. O programa Apollo, que realizou com sucesso seis aterrissagens lunares entre 1969 e 1972, havia começado oito anos antes, em 1961, quando o presidente John F. Kennedy (1961-1963) lançou o desafio ao Congresso de levar o homem à Lua naquela década. "Creio que esta nação deveria comprometer-se a alcançar a meta, antes que termine esta década, de aterrissar o homem na Lua e trazê-lo de volta à Terra sem perigo", disse Kennedy.

A decisão de chegar à Lua estava acima de qualquer questão política, segundo John Logsdon, curador e especialista do Museu Nacional de Ar e Espaço, no 40º aniversário da aterrissagem, em 2009. A  União Soviética havia sido a primeira nação a lançar um satélite em órbita, em 1957, com o lançamento do Sputnik, e em 1961 Yuri Gagarin se converteu no primeiro homem a viajar ao espaço. E a corrida espacial se converteu no símbolo da batalha da Guerra Fria. "A União Soviética definiu a corrida espacial como a medida de poder e de modernidade e o presidente Kennedy decidiu que deixar uma espetacular conquista espacial só a URSS não era do interesse dos Estados Unidos", disse Logsdon.


Os astronautas Neil Armstrong (esq.), Michael Collins (centro)
 e Edwin "Buzz" Aldrin da Missão Apollo 11 - Nasa / Reuters

Em 1970, meses depois da aterrissagem lunar, o dissidente soviético Andrei Sakharov escreveu em uma carta aberta ao Kremlin que a capacidade dos Estados Unidos em colocar o homem na Lua provou a superioridade de uma democracia. Graças à crescente prosperidade dos Estados Unidos e a suas conquistas científicas e técnológicas, o país colocou rapidamente em marcha o programa Apollo. Os custos deste programa eram estimados em 1969 em 25 bilhões de dólares, equivalente a cerca de 115 bilhões de dólares atualmente, ou mais de seis vezes o orçamento atual da Nasa. Até hoje, apenas 12 homens caminharam pela superfície lunar.