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"Retomada é processo lento", diz diretor de único sindicato que concordou com proposta do governo. Greve chega ao 82º dia com 57 universidades paradas
Lecticia Maggi
Local onde ficará o prédio principal do campus de
Guarulhos da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Obra que deveria ter sido entregue em 2010 está prevista apenas para 2015.
A greve de docentes das instituições federais de ensino superior – que chega ao 82º dia – segue sem previsão de término. Nem mesmo as universidades ligadas à Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes), que assinou um acordo com o governo na última sexta-feira, retomaram as atividades.
Segundo Gil Vicente Reis de Figueiredo, diretor do sindicato, o retorno às salas de aula ainda pode demorar. “É um processo lento. Deve levar pelo menos de duas a três semanas”, afirma.
O Proifes foi o único dos sindicatos de professores a aceitar a proposta feita pelos ministérios da Educação e do Planejamento no dia 24 de julho. O Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), o de maior representatividade, e o Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe) rejeitaram a oferta. O governo propôs reajuste entre 25% e 45% ao longo dos próximos três anos, com antecipação dos aumentos de julho para março de 2013, além da diminuição de 17 para 13 nos níveis de carreira. O reajuste contemplaria 140.000 professores, com custo de 4,32 bilhões de reais aos cofres públicos.
O alcance do Proifes é questionado. Enquanto os demais sindicatos alegam que ele responde por uma pequena parcela da categoria, com presença em não mais do que 10 instituições, Figueiredo afirma que o número é o dobro. “São 20 instituições que somam 77 campi”, diz.
Ainda assim, não há garantias de que as universidades representadas pelo sindicato irão seguir o acordo, pois todas têm autonomia. Os professores da Universidade Federal de São Carlos (UFScar), por exemplo, já sinalizaram a intenção de pôr fim à greve, mas realizam nova assembleia ainda nesta segunda-feira para decidir os rumos da paralisação. “Mesmo que as universidades optem pelo fim, não resolvemos uma greve deste tamanho em dois dias”, acrescenta Figueiredo.
Além de 57 das 59 universidades federais, a greve paralisa os trabalhos em 34 de 38 institutos. Mesmo diante das recusas e sob protestos dos demais sindicatos, o governo encerrou as negociações e diz que enviará o novo orçamento ao Congresso Nacional até o fim de agosto. Por meio de nota, o MEC diz que a “expectativa é de que as universidades e institutos federais retomem as atividades e reponham adequadamente as aulas”.
