terça-feira, agosto 07, 2012

No início das defesas dos advogados, contratições deixaram mal Zé Dirceu e Lula


A melhor apreciação do terceiro dia de sessões do julgamento do Mensalão foi desta advogada, Marina Bertucci (*), do escritório Lira Rodrigues, Coutinho e Aragão Advogados, Brasília/DF, que escreveu o texto a seguir, publicado no blog de Ricardo Noblat. Leia:

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Após uma sessão com discussões acaloradas entre os ministros e o monólogo de sexta feira protagonizado pelo Procurador Geral da República, a sessão de hoje inaugurou a troca de acusações típica da presença de vários advogados dentro de uma mesma denúncia.

Para a atuação de Roberto Gurgel sobraram qualificações como “risível”, “criação mental” e até “o mais atrevido ataque à Constituição Federal”.

Para Roberto Jeferson restou ser o ponto comum das defesas, que não vacilaram em dizer que o presidente do PTB variou seu discurso, classificado como teatral, a depender dos próprios interesses.

A defesa de José Dirceu subiu à tribuna com dedicações ao ministro Celso de Mello e suavizando o tom apimentado com que antes se manifestou em relação à denúncia.

Continuou negando toda e qualquer acusação, afirmando que a denúncia não conseguiu indicar precisamente as provas para a condenação, apesar de também não apontar especificamente as provas na maioria das refutações. Negou tudo, e com muita ênfase, afirmou que José Dirceu não exercia qualquer influência sobre o PT, mas sua defesa não entregou qualquer companheiro petista.

Se Garrincha certa vez alertou que faltava combinar a estratégia do jogo com os adversários russos, faltou à defesa de Dirceu combinar sua versão com seus companheiros de partido, pois a defesa de José Genoíno não hesitou em dizer que, embora ele fosse formalmente o presidente do PT, o presidente de fato era o próprio Dirceu, devolvendo a bola quadrada ao ex-Ministro da Casa Civil.

Também faltou combinar com a defesa de Delúbio.

Apesar das inúmeras menções ao PT e à cúpula do partido, em nenhum momento as defesas de Dirceu e Genoíno mencionaram, nem uma única vez, o nome do ex-Presidente Lula, mas o advogado de Delúbio não foi convidado para a estratégia e na sua introdução escancarou que tudo começou na montagem da chapa Lula e José Alencar, em reunião na qual Lula estava presente.

E seguiram-se as divergências. O advogado de Dirceu não apelou ao seu passado, embora tenha dele lembrado. De Genoíno, sabe-se até que possui a ficha de inscrição n. 07 no PT.

O advogado de Dirceu não rebateu especificamente os fatos e a todo o momento, repita-se, negou qualquer pagamento. O de Delúbio trouxe gráficos, tabelas demonstrativas e disse que foi dado dinheiro a um monte de gente.

E a defesa Marcos Valério? Foi burocrática, sem surpresas ou ataques.

Enfim, se o “mensalão” foi o mais atrevido caso de corrupção da história ou se a denúncia do Procurador Geral da República é o mais atrevido ataque à Constituição Federal, caberá aos ministros decidirem ao final.

Mas que houve atrevimento, isso houve, resta saber de quem.

(*) Marina Bertucci, do escritório Lira Rodrigues, Coutinho e Aragão Advogados, Brasília/DF.