O Globo
Mercadante diz que iniciativa permitirá cumprimento da lei de cotas aprovada
BRASÍLIA. O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, reconheceu ontem que as universidades federais terão que criar programas de nivelamento para auxiliar os estudantes que entrarem pelo sistema de cotas. Esse mecanismo serviria para garantir aos alunos conhecimentos necessários para atender as exigências dos cursos.
Mercadante afirmou que algumas instituições federais fazem esse nivelamento. Apesar de reconhecer a necessidade de adaptação, disse não crer que destinar 50% das vagas apenas para alunos do ensino público afete o nível dos cursos.
— Quando se dá oportunidade ao aluno, ele se esforça — disse, ao defender o sistema de cotas.
O ministro informou ainda que pedirá à presidente Dilma Rousseff o veto de um artigo do projeto de cotas, aprovado pelo Senado. O texto não faz menção ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O projeto estabelece que a seleção dos alunos seria feita com base na média obtida no ensino médio. Para o MEC, o critério de seleção tem que ser o Enem. Assim, pede o veto do trecho que fala em média de notas.
Pressionado por movimentos sociais, Mercadante desistiu de recomendar veto ao prazo de quatro anos para que as instituições de ensino adotem as cotas aprovadas pelo Senado. O MEC defendia que o prazo fosse de seis anos.
A desistência ocorre porque, com o veto do artigo, o novo prazo teria que ser aprovado pela Câmara e pelo Senado, o que atrasaria todo o processo de reserva de vagas.
— Qualquer mudança atrapalha todo o projeto — afirmou Sérgio Custódio, do Movimento dos Sem Universidade (MSU).
O projeto determina que, no primeiro ano de vigência da lei, as universidades e institutos técnicos garantam 25% das vagas para os alunos com o perfil exigido. Dilma tem até o dia 29 para sancionar o projeto de lei e ela deve esgotar esse tempo.
O texto levado à sanção prevê que universidades e institutos federais terão que garantir pelo menos 50% das vagas para alunos que cursaram integralmente o ensino médio em escolas públicas, seguindo critério racial e de renda.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Eis aí a comprovação de que não é de qualificação do ensino que está preocupado o governo.
Vejam: porque o ensino médio é uma porcaria, o senhor Mercadante vem com esta ideia de jerico para transformar as universidades em recintos de “recuperação”. Desde quando este é o papel maior de uma universidade?
Outra: por que o ingresso tem que ser medido pelo bolso, ou pelo tipo de escola (pública) ou pela cor de pele, e não pelo mérito como se faz nos países em que a educação tem níveis excelentes?
Ora, tirar do ensino médio o grande estímulo que é justamente a qualificação do aluno para ter condições e competência para ingresso em alguma faculdade, é jogar o nível do ensino no abismo. Com que dedicação alguém se preocupará em dedicar-se aos estudos e ao aprendizado, se de antemão sabe que, por ser de escola pública, ou por conta da cor da pele, ou por ser descendente de índio (todos somos, de um modo ou de outro), sua vaga já estará assegurada? E se esta faculdade ao invés de qualificá-lo para uma profissão superior, vai antes preocupar-se em repor os conhecimentos que, teoricamente o aluno já deveria ter recebido no ensino médio, onde ficará o mérito, o esforço pessoal, a necessidade de dedicação e vontade de aprender? E por que perder tempo na universidade em repor o que a universidade já deveria receber como produto pronto?
Se o senhor Mercadante está pensando que com tais ideias malucas ele conseguirá melhorar a tragédia que se tornou o ensino médio, está muito enganado, e é melhor que vá procurar ocupação em outra área, ao invés de piorar o que já é ruim. Ele está na contramão do bom senso!!!
Já não basta haver mais de 1/3 de estudantes universitários semianalfabetos, para o senhor Mercadante estimular que este número aumente ainda mais!