Guilherme Ramos (*)
Jornal do Brasil
Prestes a anunciar o Plano Nacional de Infraestrutura e Logística, que almeja, além de outras coisas, melhorar a condição de competitividade brasileira por meio de uma logística mais aprimorada, o governo federal mostra que esta é a hora de o Brasil crescer e expandir suas fronteiras internacionais. Nosso país, agora, ocupa lugar de prestígio entre as principais potências e economias mundiais que enfrentam uma grande crise e têm suas atividades estagnadas, na maioria das vezes, dependendo de ajuda externa para poderem continuar em pé. Com uma Copa do Mundo e uma Olimpíada a caminho, o Brasil já está mais do que na hora de mostrar a que veio e que pretende investir “pesado” em infraestrutura no segundo semestre.
Mas, muita atenção nesta hora. É fundamental que seja estabelecido um planejamento de médio e longo prazo que possibilite um investimento constante e em grande escala para reestruturar as condições de escoamento da produção, sem que isso onere ainda mais o valor dos produtos. De acordo com dados do governo, a presidente Dilma Rousseff oferecerá à iniciativa privada, dentro do pacote apelidado de PAC das Concessões aproximadamente 50 mil quilômetros de rodovias federais; 24 mil quilômetros de ferrovias; a privatização dos portos federais de Vitória e Salvador, e dos aeroportos do Galeão (RJ), Confins (BH) e de um terceiro no Nordeste.
Se falarmos da questão dos eventos esportivos que serão realizados no país, nos próximos anos, a situação também é muito favorável para quem pensa em investir no setor. O governo elevou em R$ 698,3 milhões os gastos com obras de mobilidade urbana para a Copa do Mundo de 2014, fazendo com que o valor estimado em investimentos para este evento some R$ 27,4 bilhões. Se pegarmos somente a área de responsabilidade do governo da Bahia, os projetos relacionados à mobilidade urbana e acessibilidade, fortalecimento da cultura local, requalificação do turismo e obras de infraestrutura, está estimado em R$ 1,9 bilhão.
É preciso ser dito que todo este volume de projetos e investimentos em aprimorar a infraestrutura e a logística do Brasil só será possível de ser efetuado a partir de PPPs (Parcerias Público-Privadas) e por meio de uma sinergia entre os projetos federais e estaduais. Uma ótima notícia para o setor privado deste segmento foi publicada recentemente, e está na medida provisória publicada no Diário Oficial da União, na qual fica claro que haverá uma desoneração de impostos nas operações PPPs em obras, principalmente de infraestrutura, com o objetivo de aumentar ainda mais o nível de investimentos no país.
O caminho é longo, o momento oportuno e as intenções são as melhores possíveis. O Brasil precisa investir em si mesmo e mudar radicalmente o que há anos vem sendo empurrado de um governo para o outro. Pelo que tudo indica, as lideranças do país já notaram a real importância e a urgente necessidade de tais mudanças nas áreas de infraestrutura, transporte e logística. Agora resta capacitar estruturalmente o nosso país para trilharmos a estrada de sucesso que vem por aí.
O país já vem construindo há algum tempo o debate sobre o setor, por meio de iniciativas como o Brazil Road Expo — evento internacional de Tecnologia em Pavimentação e Infraestrutura Viária e Rodoviária, que reúne num só local todos os elos da cadeia de infraestrutura viária e rodoviária e que chega a sua terceira edição em março do próximo ano. São ações deste tipo que farão com que as grandes oportunidades que o país apresenta sejam ponto de partida para melhorias que perdurem e tragam desenvolvimento e competitividade ao Brasil.
(*) Guilherme Ramos é engenheiro civil e diretor da Brazil Road Expo, uma das principais feiras de infraestrutura e negócios para os setores viários e rodoviários do Brasil e da América Latina.