Josias de Souza
Em greve desde o dia 16 de julho, os servidores das dez agências reguladoras do governo decidiram voltar ao trabalho nesta segunda-feira (3). A categoria reúne 2.527 pessoas. Descruzarão os braços a despeito de 97,08% do contingente ter recusado a oferta de reajuste de Dilma Rousseff: 15,8% em três parcelas anuais.
Em nota, Sinagências informa que decidiu mudar de tática. Vencida a fase de negociação com o Ministério do Planejamento, o sindicato das agências vai pressionar o Congresso para alterar a proposta de Orçamento do governo para 2013. Algo que o Planalto tentará evitar.
Pelas contas oficiais, a proposta salarial do governo foi refugada por 12 das cerca de três dezenas de categorias de servidores. Somam cerca de 120 mil pessoas –ou 7% do total de funcionários públicos federais. Diferentemente do pessoal das agências, alguns decidiram manter a greve.
Os setores mais problemáticos são a Polícia Federal, cujos agentes e papiloscopistas afirmam que a paralisia prossegue sem dia para terminar, e os auditores da Receita, que conservam a tática de realizar operação-padrão nas aduanas e nos postos de fronteira.
Aliviada com o fim da greve nas agências, a direção da Anvisa decidiu flexibilizar a resolução que havia sido baixada para contornar os entraves decorrentes da paralisação. Em notíciaveiculada em sua página na internet, a agência responsável pelas inspeções de carregamentos de remédios e equipamentos de saúde vindos do estrangeiro anunciou um “esforço concentrado” para segunda-feira.
Presidente da Anvisa, Dirceu Barbano reconhece: “Há um acúmulo de processos de importação em consequência da greve.” Para evitar o desabastecimento, 45 serviores serão mobilizados para apressar as liberações nos principais pontos de entrada. Entre eles os aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Congonhas, em São Paulo; o Tom Jobim, no Rio; e os potos de Itajaí (SC), Santos (SP) e Mauá (RJ).
- Ilustração via Guto Cassiano.
