Folha de São Paulo
Com Agências de Notícias
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, indicou neste domingo que se a oposição ganhar as eleições do dia 7 de outubro talvez não ocorra uma guerra civil, mas o país entraria em crise política, econômica e social.
Chávez, que busca a terceira reeleição consecutiva, se referiu a uma declaração do ex-governador de Anzoátegui, David de Lima, afastado do chavismo e atualmente um político independente. Lima afirmou recentemente que a aplicação do plano de governo da oposição abriria a porta para uma guerra civil na Venezuela.
"Ele estava dizendo na televisão que se esse plano for aplicado aqui, haveria uma guerra civil, o país seria desestabilizado imediatamente. Ele tem razão, talvez não ocorra uma guerra civil, mas entraríamos em outra crise política, econômica e social", afirmou.
"E a Venezuela afundaria outra vez e eu acredito que [dessa vez] seria pior. Ocorreriam coisas piores dos que as que ocorreram nos anos 80 e 90, décadas catastróficas para o povo venezuelano", disse Chávez por telefone à televisão estatal.
O presidente comparou o programa de governo de seu rival, Henrique Capriles, com o do candidato republicano dos Estados Unidos, Mitt Romney.
No próximo dia 7, os venezuelanos vão eleger o novo presidente para governar entre 2013 e 2019. São sete candidatos, entre eles, Chávez, 58 anos, que está no poder desde 1999 e Capriles, ex-governador e advogado de 40 anos.
***** COMENTANDO A NOTICIA:
No domingo, Agosto 26, publicamos um texto (íntegra aqui) informando que o candidato da oposição na Venezuela, Henrique Capriles, superara a Hugo Chavez nas pesquisas de intenção de voto. Acrescentamos ao texto um comentário afirmando que o Brasil deveria acompanhar com muita atenção as eleições venezuelanas, e para tanto apontamos alguns aspectos que entendíamos importantes. E, nem bem passou-se uma semana, e eis que Chavez., conforme informado acima, já traça o caminho que adotará caso venha perder a eleição.
Em se tratando destes caudilhos latinos, sempre é possível esperar e contar com o pior. A falta de caráter sempre é previsível diante da iminência da perda do poder. Assim, vale a leitura (ou releitura) daquele comentário diante da ameaça que Chavez deixou passar em caso de derrota:
O Brasil deve olhar para as próximas eleições presidenciais na Venezuela com muito cuidado. Há duas questões que podem colocar o continente num redemoinho de movimentos terroristas muito preocupantes.
Se Capriles vencer Chavez, conforme apantam atualmente as pesquisas, as duas questões que se abrem são:
1º) Se o candidato da oposição vencer o pleito, Hugo Chavez permitirá que ele assuma a presidência, transmitindo-lhe o cargo de forma pacífica e democrática?
2º) Se empossado, Capriles conseguirá governar o país sem que Chavez procure sabotar o seu governo durante todo o mandato?
Durante os anos em que Chavez governa a Venezuela, de forma ditatorial, ele simplesmente destruiu as instituições daquele país. Os outros dois poderes, Judiciário e Legislativo, praticamente se tornaram ecos retumbantes da vontade do ditador. E é partir deste dado que um provável governo de Capriles corre perigo e deverá atentar para recuperar a independência destes dois poderes, sem ferir a estabilidade política da Venezuela.
Além disso, Chavez usou recursos públicos a perder de vista na cooptação de aliados no continente que poderão se aliar a ele numa tentativa de sabotar um governo de oposição. E a consequência disto será uma instabilidade política que poderá se espalhar pelo continente latino-americano.
Portanto, o Brasil deve, desde já, fazer uma opção: defender o estado democrático que a Venezuela volte a conquistar a partir da derrota de Chavez em favor, sempre, do povo daquele país. Não podemos é estender a mão para Chavez acompanhando sua estupidez. Nunca o ditado do rei morto, rei posto, será tão atual.
Ainda assim, não creio que Chavez perderá a oportunidade de aplicar golpes e fraudes eleitorais na tentativa desesperada de se manter no poder.
