domingo, setembro 30, 2012

Guido Mantega e a busca de uma saída para a crise financeira


Ricardo Galuppo (*)
Brasil Econômico

O Ministério da Fazenda já foi um dos empregos mais instáveis do Brasil. Na história recente, José Sarney teve quatro ministros em cinco anos de mandato. Fernando Collor teve dois em dois anos e meio. Itamar Franco, que completou o mandato de Collor, foi recordista na nomeação de ministros: seis em dois anos e meio.

Desde o Plano Real e o fim da inflação, a Fazenda passou a gestões mais contínuas - o que não significa, necessariamente, mais tranquilas. Pedro Malan enfrentou graves turbulências internacionais, mas nunca teve sua permanência questionada nos oito anos de mandato de Fernando Henrique Cardoso. 

Antonio Palocci teria ficado com Luiz Inácio Lula da Silva por outros oito anos se não tivesse caído, abrindo espaço para a chegada de Guido Mantega. Presidente do BNDES na época do afastamento de Palocci, Mantega era até aquela altura um economista com pouca experiência na gestão pública. Professor da Fundação Getulio Vargas, em São Paulo, foi um dos primeiros economistas de respeito a professar o credo petista. 

Apesar disso, ou, talvez, até por isso, não era visto como alguém credenciado para comandar a economia.

O tempo provou que Mantega não apenas deu conta do recado, como demonstrou uma coragem que foi fundamental para a superação da crise internacional que bateu à porta do Brasil em 2009. 

Com sugestão de dois dos maiores economistas do país (Antonio Delfim Netto e Luiz Gonzaga Belluzzo), ele assumiu sozinho a responsabilidade de superar o problema não com o remédio habitual da austeridade fiscal e das medidas recessivas. 

É dele a arquitetura da solução baseada numa combinação de expansão do crédito com redução de impostos para ativar o mercado interno e estimular o crescimento do PIB. 

Esse movimento, somado à alta demanda pelas commodities, fez de 2010 o melhor ano da economia nacional nas últimas décadas.

Mantido no cargo pela presidente Dilma Rousseff, Mantega está em vias de se tornar o ministro da Fazenda que mais tempo permaneceu no posto em mais de 200 anos de história do Ministério da Fazenda no Brasil. 

Diante da persistência de uma crise internacional que não tem dado sinais de arrefecimento, Mantega vem tentando o mesmo remédio que utilizou em 2009. A resposta, no entanto, não tem sido tão imediata quanto naquela oportunidade. Além disso, tem sido dele a liderança no esforço do governo no sentido de convencer os bancos a baixar os juros. 

Na próxima segunda-feira, o Brasil Econômico publicará a entrevista que Mantega concedeu a Octávio Costa na quarta-feira passada. Será uma oportunidade de saber, pelo próprio Mantega, uma avaliação das chances que o país tem de deixar essa onda de dificuldades para trás.

(*) Ricardo Galuppo é publisher do Brasil Econômico