terça-feira, setembro 18, 2012

Motos compradas para o Samu estão sem utilização


Dimmi Amora
Folha de São Paulo


Um programa bem avaliado e que ajuda a salvar vidas está subutilizado, custa mais do que deveria e funciona mal por falta de planejamento.

Foi o que concluiu auditoria feita pelo TCU (Tribunal de Contas da União) no programa do Ministério da Saúde de compra de "motolâncias" -motos usadas para dar mais agilidade aos atendimentos do Sistema Samu.

O relatório lista uma série de falhas no programa, iniciado em 2009. Naquele ano, o governo anunciou a compra de 1.880 motos. Comprou um primeiro lote de 400, ao custo de R$ 6 milhões. Em 2011, 60% delas estavam sem uso. Neste ano, ainda são 40% veículos parados. A falta de uso foi gerado pela falta de planejamento, segundo o relatório do órgão.

Um dos problemas é que a compra não foi precedida de pesquisa para levantar a demanda das prefeituras, e muitas cidades receberam motos sem terem feito solicitação.

A avaliação do TCU é que houve erro na licitação -as motos compradas são adequadas para uso administrativo, mas o atendimento de urgência demandaria veículos mais potentes. Os convênios entre o ministério e os governos locais previam outras obrigações difíceis de serem cumpridas.

Os motoqueiros eram obrigados a levar um cilindro de oxigênio em todos os atendimentos. Mas o aparelho não pode ficar ao lado da moto porque desequilibra o veículo. E não pode ser transportado nas costas dos motoristas pelo risco de explosão.

Em muitas cidades, os cilindros foram abandonados. O relatório do TCU cita pesquisas que mostram que, nas cidades em que são adotadas, as "motolâncias" ajudam a aumentar a velocidade do primeiro atendimento.

OUTRO LADO
O Ministério da Saúde informou que não comprará mais o restante das ambulâncias que estavam previstas no programa. Segundo Helvécio Magalhães Júnior, secretário de Atenção à Saúde do ministério, a ideia é que essas compras passem a ser feitas pelas próprias prefeituras, de forma descentralizada.

A pasta diz que pegará de volta as "motolâncias" não utilizadas. Helvécio acrescenta que cidades como São Paulo estão pedindo mais equipamentos. O ministério também quer reduzir algumas exigências para o uso das "motolâncias".

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
A palavrinha mágica já no primeiro parágrafo do texto da Folha, dá o verdadeiro tom do que tem sido o governo petista, principalmente o de Dona Dilma, nossa soberana imperial, e que está na raiz do enorme desperdício de recursos públicos: FALTA DE PLANEJAMENTO. 

Há uma enorme preocupação em fazer lançamentos a esmo de programas, porque isto dá IBOPE, vai para as manchetes da grande mídia e emoldura a propaganda oficial com o firme propósito de enganar a população, na base do “agora vai”. Não vai. Não sai do lugar. Fica feito poste no meio da rua, que não serve para abrigar a rede elétrica, e ainda atrapalha o trânsito.

Entretanto, o lançamento nunca vem acompanhado do Manual de instruções do como fazer, prazos de realização, origem e previsão dos recursos necessários. Assim, joga-se no lixo milhões de reais em programas cuja ideia central seria servir a sociedade com melhor qualidade, mas que, a precariedade em seu planejamento além da pressa em exibir-se jogando para torcida, acabam ficando pelo meio do caminho, com a população cada dia maias desassistida. E assim, vamos assistindo, impávidos e desconsolados, um governo ótimo de marketing mas péssimo de serviço.