Comentando a Notícia
Nesta edição, reproduzimos dois comentários do Ricardo Noblat, postados em seu b log. No primeiro, o jornalista sustenta a tese de que a matéria da Revista Veja, sobre declarações dadas por Marcos Valério apontando Lula como chefe do mensalão, são verdadeiras. Até aí tudo bem, como ninguém ouviu o áudio da entrevista, uns acreditam outros não sobre se, de fato, as declarações apontadas por Veja que teriam sido dadas por Marcos Valério existiram.
Mais tarde, o site do jornal O Globo reproduziu um artigo do mesmo Ricardo Noblat sob o título “A quarta cópia”, informando que Marcos Valério teria mandado produzir um vídeo de excelente qualidade, do qual foram feitas quatro cópias, ficando três guardadas em banco, e uma destas cópias enviada a algum dos acusados ou dos envolvidos como prova de que não blefava quando dizia (ou ameaçava) sobre lhe acontecer alguma coisa fora do comum.
Juntando-se os dois textos, e creio que Ricardo Noblat não seja do tipo leviano, não apenas a matéria da Veja ganha corpo, como também Noblat dá a entender que Marcos Valério estaria a ponto de explodir diante das promessas que lhe haviam sido feitas pelo PT no sentido de adiar o julgamento do Mensalão até a prescrição das penas.
Apesar de explosivos , os textos do Noblat tem consistência e, de certa forma, vão de encontro aquilo que acabamos descobrindo na noite de domingo sobre a Revista Veja ter cópia gravada da entrevista e que só não a divulgou por um acordo de cavalheiros feito entre Marcos Valério e seu advogado com os repórteres da Revista Veja. Contudo, parece que o advogado ao desmentir tanto a entrevista quanto às declarações de Valério, teria rompido este acordo, o que liberaria a revista divulgar, por sua parte, o áudio da entrevista.
Tudo muito certo, tudo muito bom até que...
...até que Noblat resolveu postar em seu blog matéria de Marco Aurélio Weissheimer, na Carta Maior, sob o título “A guerra da Veja contra o retorno de Lula”, em que o jornalista narra um suposto complô armado para evitar que Lula volte à presidência. No texto, se descreve que a trama em curso envolveria não apenas a Veja, mas também Folha de São Paulo e o Globo, destacando-se Cristiana Lobo, o próprio Ricardo Noblat e Merval Pereira, além, é claro, da turma ligada à Veja. Nada como um julgamento no STF para toda esta gente amante do petismo em delírio supremo...
Ora, ao postar esta matéria, Noblat não terá percebido que o que ela contém contraria frontalmente exatamente os dois textos escritos pelo por ele próprio em seu blog? Assim, liberar o conteúdo, sem ao menos acrescentar um único comentário ou observação sobre as acusações que lhe foram feitas, estaria como assentindo com elas? Afinal, Noblat, quem está certo, você ou a Carta Maior? Ou você liberou seus textos sem a plena convicção do que escrevera?
Não dá. Noblat poderia liberar seus textos, fazer menção à matéria da Carta Maior, mas nunca colocando sua opinião em confronto com um texto liberado em seu próprio blog.
Aqui, quando discordamos de alguém, é claro que fazemos questão de mostrar e exibir o texto de quem não concordamos, porém sempre tendo o cuidado para, ou antes, ou depois, apresentarmos os pontos discordantes e em seguida nossa própria opinião ou visão.
Portanto, Noblat, você nos deve ao menos uma explicação: você concorda ou não com a matéria da Carta Maior? Se concordar, refaça seus textos anteriores, do contrário, se discorda, ao menos dê indício disto aos seus leitores.
Já que fiz menção à matéria da Carta Maior, o link segue abaixo, não me surpreendeu nem um pouco. Outros veículos chapa branca, que babam ovo do governo petista para cair na sua cesta os ovos dourados que pagam as contas, já tinham dado sinal de largada nesta impressionante conspiração. Isto é típico de governos autoritários, chinfrins, que precisar criar um inimigo público para se defenderem de seus crimes e, a partir daí, justificar as baixarias e outros crimes que cometerão tudo feito pelo nosso “bem”. Os demônios dançam a dança do desespero. Estão delirantes, babando raiva por todos os poros.
A história da humanidade, passada e recente, está cheinha destes exemplos, de governos ou governantes metidos a ditadores, que nutrem profundo desprezo pela verdade e pelas instituições democráticas, e que para ficarem bem na parada, criaram inimigos ocultos, que nada mais é do que uma simples estratégia cafajeste para não serem incriminados, e poderem assim justificar seus crimes futuros. É uma busca cretina de salvo conduto para delinquir, sem precisar dar satisfações a quem quer que seja.
Carta Maior, assim como jornalistas, veículos e blogs genuflexos à cartilha petista de serem canalhas e parecerem anjos, segue bem o receituário, e vai somando pontos para que os ovos dourados do capilé oficial continuem sendo despejados em seu balaio. É a sua contrapartida em prestação de serviços ao cretinismo oficial. Seu delírio chega a ser doentio, psicótico.
Evidente que não vamos reproduzir lixo neste blog. Mas não vamos sonegar ao leitor tomar contato com a matéria. A íntegra está aqui. Adiantamos que não há nada ali que um bom normalizador digestivo não resolva. Talvez um engov antes, outro depois...É delírio supremo imaginar que haja um complô armado contra Lula. A época para derrubá-lo do poder, e pela via legal com motivos plenamente legais e justificados, a oposição se acovardou e deixou passar. Mas Lula não é dono nem do Brasil e nem da vontade do povo.
Ah, em tempo: Lula pode voltar à presidência quando bem entender. Ninguém pode negar-lhe direito de concorrer novamente, e é claro, enquanto estiver com seus direitos políticos em vigor. Quem decide nem é ele, é o eleitor. Mas até lá, talvez deva contratar um bom advogado. Há muita sujeira e lambança escondida debaixo do seu tapete e que precisa ser desvendada. Prá sorte dele, não há no horizonte ninguém capaz de confrontá-lo numa eleição, mas isto em tese. Até o pleito, muita coisa pode acontecer capaz de virar o jogo. E uma delas pode ser revelada justamente por outro Roberto Jefferson que resolva abrir o bico. Dentre os atuais 36 réus, quem garante o sigilo fiel de todos? E, afinal, nem sempre se poderá assassinar um Celso Daniel da vida para calar-lhe a boca, não é mesmo?