Marco Prates
Exame.com
Durante evento, economista norteamericano afirma que governo deve ter coragem de largar incentivo ao etanol, se necessário. Mas afinal, como decidir quem merece ser salvo?
Germano Lüders/EXAME.com
Fábrica da Fiat em Betim, Minas Gerais:
setor automobilístico é um dos mais agraciados com
incentivos pelo governo para não perder a competitividade
São Paulo – Em um dos debates do EXAME Fórum 2012, o economista norteamericano Paul Romer, professor da New York University, causou certo frisson ao sugerir que o governo deve abrir mão de incentivar a produção do etanol – um xodó em termos de matriz energética brasileira – se verificar que seu modelo e aproveitamento estão ultrapassados.
A afirmação não passou despercebida porque Rubens Ometto, controlador da Cosan – cujo principal negócio é a cana de açúcar – estava à mesa e reagiu.
O assunto acabou retornando em um debate posterior do fórum.
Tudo porque, afinal, as várias medidas anunciadas a conta gotas pelo governo sempre beneficiam alguns setores mais que outros - quando não apenas alguns, exclusivamente.
Um fator que pode ser determinante para a competitividade, a margem de lucro e, em última instância, a sobrevivência de uma empresa.
Mas como decidir em quem vale a pena investir, e quando deixar de fazê-lo?
O presidente do grupo Suzano, David Feffer, diz que é preciso estabelecer os setores com capacidade de se destacar no país. “Existe um mercado e existe o resultado. Tem que haver busca nas vantagens competitivas que o Brasil tem a apoiar as empresas”, afirmou durante o debate.
Para Jorge Gerdau, presidente do Conselho de Administração da gigante siderúrgica, a questão não pode ser respondida com tanto dever de casa ainda a ser feito no Brasil. Hoje, quanto maior a cadeia de um produto, maior os impostos escondidos que incidem sobre ele e maior os custos de logística.
“Vamos então descartar esse pessoal? Temos que fazer a lição de casa”, defendeu o empresário e também presidente da Câmara de Políticas de Gestão, ligada à Presidência da República. Gerdau argumenta que as prioridades a serem atacadas para tornar o Brasil competitivo são a educação, o sistema tributário e a logística.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Na verdade, a afirmação Paul Rommer até que faz sentido. Porém, é preciso reconhecer que na verdade e na medida que o governo federal vem impondo prejuízos à Petrobrás, com sua política de combustíveis, ele tem colaborado para acentuada perda da competitividade – afora outros benefícios ambientais – do etanol. A esta altura, são muitos os bilhões que estão sendo deixados de lado em investimentos, no sentido de ampliar a capacidade de produção deste biocombustível, pela falta de visão estratégica do governo Dilma no campo dos combustíveis.
Assim, os incentivos concedidos no passado em favor do etanol, estão sendo depreciados, miseravelmente, em nome de coisa nenhuma.
Quanto à incentivos de um modo geral, também é possível notar o quanto de verdade a fala de Jorge Gerdau faz sentido. A questão não é escolher este ou aquele setor a ser beneficiado, e sim, aprofundar reformas estruturantes que beneficiem a todos os setores da economia de um modo geral, e não ficar nesta improvisação, sem eira nem beira, em busca de resultados pontuais e imediatistas.
Serve neste campo, a mesma crítica feita em um post mais abaixo, quando comentamos sobre as tais “motolâncias” adquiridas para o SAMU e que, simplesmente, não estão sendo utilizadas, exatamente por falta de planejamento e eu até diria, por falta de vontade em fazer algo útil em benefício. O governo da soberana parece entender que, apenas espichando os benefícios do Bolsa Voto que ela chama de Bolsa Família, já é suficiente para fazer a felicidade dos mais pobres. Errado e estúpido. TODA a sociedade paga uma fortuna para que o o governo qualifique e ofereça serviços melhores. E não para escolher a quem beneficiar com suas políticas públicas. É um projeto devotado, EXCLUSIVAMENTE, a um projeto de poder, totalmente desvinculado de um projeto de país.
