sexta-feira, outubro 26, 2012

Crack: governo federal apoia internação forçada de adultos, mas no Rio. Em São Paulo, não!


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Ministério da Saúde vai garantir recursos à prefeitura do Rio para criar sistema de atendimento, hoje restrito ao acolhimento de crianças e adolescentes nas cracolândias

Bruno Kelly/Reuters
Jovem consome crack no centro de Manaus  

O Ministério da Saúde vai apoiar a prefeitura do Rio de Janeiro no projeto que deve criar a internação compulsória de adultos usuários de crack. O anúncio foi feito nesta quinta-feira pelo ministro Alexandre Padilha, que se reuniu com Eduardo Paes em Brasília. Padilha prometeu destinar recursos para a ampliação da rede de atendimento na cidade e vai disponibilizar técnicos do Ministério para auxiliar a prefeitura na elaboração do protocolo de atendimento que, segundo lei federal, concede ao profissional de saúde o direito de internar pacientes que correm risco de vida.

Ricardo Moraes/Reuters
Homens fumam crack no bairro Glória no Rio de Janeiro  

 “O Ministério está garantindo o apoio à prefeitura do Rio para ampliar todos os serviços necessários para cuidar de forma adequada dos dependentes químicos e de seus familiares. A pedido do prefeito Eduardo Paes, vamos instalar mais consultórios de rua, unidades de acolhimento para internação, leitos psiquiátricos e convênios com comunidades terapêuticas. O prefeito ainda vai nos apresentar um detalhamento dessa nova demanda, mas já garantimos recursos para ampliarmos essa rede de cuidados e internação no Rio”, detalhou o ministro, acrescentando que o objetivo é “salvar a vida do dependente e aliviar o sofrimento da família”.

Bruno Kelly/Reuters
Mulheres consomem crack no centro de Manaus  

Em novembro, Paes deve apresentar o novo modelo de atendimento que, segundo ele, deve contar com 600 vagas emergenciais. “Temos de ampliar muito nossa rede de atendimento. E o ministério vai estar junto da prefeitura ajudando a pagar essa conta. O que nós queremos é que a pessoa diagnosticada sem condição de tomar decisão por si própria e que esteja em risco possa ser internada para salvar sua vida”, enfatizou o prefeito.

Ricardo Moraes/Reuters
Pessoas fumam crack reunidas no bairro Jacaré no Rio de Janeiro  


A parceria foi firmada no momento em que veio à tona a fragilidade do atendimento a usuários de crack em todo o Rio de Janeiro. O problema central é como - e onde - tratar essas pessoas, em especial os adultos, uma vez que foram fechadas as duas únicas clínicas do estado destinadas a esse atendimento. Como mostrou o site de VEJA ao longo da última semana, o governo do estado empenhou recursos na ocupação da área onde se formou a maior cracolândia do estado, próximo a Manguinhos e Jacarezinho. Mas já no dia seguinte à ocupação, os usuários reapareceram nos arredores de outros pontos de venda da droga.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Interessante esta digamos assim ... nova posição do Governo Federal em relação aos dependentes de crack. Quando São Paulo adotou a mesma política que o Rio agora copia, mas com a vantagem de já dispor de uma clínica de tratamento e recuperação, o governo federal se manifestou de forma veementemente contra. Houve declarações de ministros, da própria presidente, além daquela turma que aponta o nariz apenas para o lado que o vento sopra. E com um detalhe: pesquisas de opinião junto à população paulistana, indicou expressiva aprovação pelas medidas da Prefeitura combinadas com o governo do estado. 

Agora, quando Rio vem implementar a mesma política adotada em São Paulo, eis o governo Dilma mudando radicalmente de posição, oferecendo inclusive recursos abundantes. 

Isto representa dizer o seguinte: onde o governo for exercido pelo PT ou seus aliados, o governo federal abrirá graciosamente o cofre. Se for da oposição, mesmo que o município ou estado ainda façam parte do mesmo Brasil, não tem chance: vai morrer à míngua. A isto eles dão o nome de política republicana. Já no popular, trata-se, dentre outros, de cretinismo mesmo!