quarta-feira, novembro 21, 2012

Governo vira sócio e banca fábrica de semicondutores de Eike Batista


Mônica Ciarelli 
O Estado de S.Paulo

BNDES será responsável por mais da metade do investimento de R$ 1 bilhão da Six Semicondutores, que será erguida em Minas Gerais

Depois de mais seis meses de adiamentos, o projeto do governo de construção de uma fábrica de semicondutores no País foi anunciado ontem oficialmente. A Six Semicondutores, a mais nova empresa do grupo de Eike Batista, saiu do papel com uma forte ajuda do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), responsável por mais da metade do investimento de R$ 1 bilhão.

Além de entrar com R$ 245 milhões para garantir uma fatia de 33% na sociedade, o banco ainda aprovou financiamento de R$ 267 milhões para a nova fábrica, que será construída no município de Ribeirão das Neves, em Minas Gerais, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Outro empurrão do governo veio na forma de financiamento da estatal Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que liberou à Six uma linha de empréstimo de R$ 202 milhões.

A nova fábrica, que tem previsão de começar a produzir em 2014, tem como sócios, além do BNDES e de Eike Batista (que também terá 33%), o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), a americana IBM e a Matec Investimentos e Tecnologia Infinita, do ex-presidente da Volkswagen do Brasil Wolfgang Sauer.

O projeto vinha sendo tratado com discrição pelos sócios porque a presidente Dilma Rousseff tinha planos de anunciar pessoalmente o investimento. Mas problemas de agenda acabaram deixando a presidente fora do evento, que contou com a presença do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel.

Política industrial. 
O interesse do Planalto pela produção de semicondutores ficou claro no lançamento da política industrial, no início do ano, quando o setor foi classificado como estratégico para o desenvolvimento econômico do País. Na época, o governo chegou a calcular que a falta de unidades de semicondutores gerava um déficit comercial de cerca de US$ 6 bilhões por ano ao Brasil.

"O projeto coloca o Brasil no seleto grupo de países com alta tecnologia em semicondutores e significa um salto qualitativo histórico para o desenvolvimento da indústria nacional, com ampliação de sua competitividade e diminuição da dependência tecnológica do País", destacou o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, no evento.

A iniciativa, no entanto, é polêmica. O economista Claudio Frischtak, que trabalhou no Banco Mundial e hoje é sócio da Inter B Consultoria, criticou os gastos da União na nova fábrica. Ele lembra que o governo já tem uma fábrica estatal de chips no Rio Grande do Sul, a Ceitec. "Quem garante que não será mais um desperdício de dinheiro?", disse. Segundo ele, o Brasil está duas a três décadas atrasado nesse segmento e a fábrica gaúcha, criada em 2008, ainda não conseguiu trazer nenhum avanço para o País.

Já o economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Silvio Sales, se mostra mais favorável à decisão do Planalto de dar um pontapé, via BNDES, para tentar desenvolver o setor. "Estamos atrasados nessa área. Era preciso um empurrão do Estado. Isso se justifica", afirmou Sales, ao lembrar que esse é um segmento que gera receitas de maior valor agregado.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Fosse a oposição a firmar uma associação com um empresário do tipo que acima se noticia, e o PT cairia de pau em cima. Que compulsão doentia é esta de tentarem, a qualquer custo, copiarem o modelito falido da ditadura militar? Será que o país já não pagou um alto preço com 25 anos de estagnação econômica e alto custo social? Por que o privilégio de se beneficiar alguns empresários em detrimento da maioria? Qual a taxa de sucesso que Eike Batista pagará ao partido no poder, liquidar as dívidas da campanha de 2012, por exemplo, e garantir o financiamento da próxima, em 2014? Que mais elitizada pode ser outra política econômica que não esta em curso no governo petista? 

O BNDES, santo Deus, é um banco de fomento, deve financiar empreendimentos privados perfeitamente viáveis, importantes para o desenvolvimento do país, e não entrar de sócio em um clube seleto comandado por amigos do reino. Já custou muito caro no passado, limpar a carteira de “sociedades” a que o BNDES foi empurrado, com alto custo para a própria instituição e para o Tesouro Nacional.

Isto não é política econômica que tenha por meta o desenvolvimento do país, e sim o enriquecimento imoral de alguns amigos do poder.  Se o empreendimento tem viabilidade, que então o senhor Eike Batista ofereça as garantias de praxe e para ele se aprove o montante de recursos necessários. Entretanto, se o negócio é duvidoso que precise de um banco estatal para lhe dar suporte como sócio ou e alavancar seu êxito, é sinal claro de que o negócio não tem a viabilidade necessária para que o BNDES, além de financiá-lo, a ele também se associe.

Depois os petistas ainda querem encher a boca para criticar as “zelites”, sendo eles os primeiros a beneficiá-las de maneira tão imoral quando indevida.

A tentativa de se justificar a associação não tem a menor procedência. Se o país está atrasado nesta área, é porque, em grande parte, o governo não teve competência suficiente para atrair os investidores. Criar ambiente propícios de negócios, todos sabem, requer não   apenas atrair investidores interessados aproveitar oportunidades que o país oferece, mas, sobretudo, que se crie condições para que os investimentos se tornem lucrativos, viáveis. Neste sentido, que medidas o governo tem adotado? Ensino de má qualidade, infraestrutura deficiente e onerosa, carga tributária extorsiva, burocracia sufocante e uma insegurança jurídica insuportável. Em tudo isso o governo federal poderia atuar para oferecer condições a que qualquer investidor, de qualquer área possa sentir-se seguro e atraído a colocar seu capital no Brasil.

Só que todas estas realizações sequer competência, dá trabalho e exige, acima de tudo, desprendimento das velhas práticas oligarcas. É mais fácil, privilegiar aos amigos do poder com condições especiais, ao invés de cuidar do país como um todo. Neste sentido, dá para se concluir que o Brasil está sendo desgovernado por um bando de incompetentes, ou temos no poder um bando de inconsequentes que não tem a menor noção do que seja um projeto de país. E o país somos todos nós, e não apenas alguns. O PT está privatizando o Brasil para si e para os seus, esta é a triste verdade.