Ângela Bittencourt
Valor
A presidente Dilma Rousseff não é do tipo que desiste e espera que o Brasil seja contemplado com um “Pibão” em 2013. Mas a exuberância da atividade tem preço. O quadro mais tranquilizador pintado pelo Banco Central (BC) para a inflação em 2013 e 2014 – com a meta saindo do reino da fantasia – está intrigando analistas e por uma razão simples. Não combina com a perspectiva de crescimento econômico alçado pela força do mercado de trabalho, fôlego da renda, investimentos mais robustos, programas de concessão de serviços públicos e expansão da política fiscal. Somadas todas as partes, as projeções de inflação apresentadas pelo BC no Relatório de Inflação, divulgado nesta quinta-feira, parecem fora do lugar.
O BC vê avanço de 4,8% na inflação de 2013 e de 4,9% em 2014, caso a taxa Selic permanece estável em 7,25% e a taxa de câmbio em R$ 2,05. A ideia comprada rapidamente pelo mercado durante a manha de que a Selic não sai tão cedo do lugar começa a ser questionada. E o dia nem terminou.
Mas o BC, que também prevê o cumprimento da meta cheia de superávit primário das contas públicas, de 3,1% do PIB em 2013 e 2014, indicou no relatório que se precisar adotar ações para conter pressões inflacionárias daqui em diante, optará por medidas macroprudenciais — como o aumento dos recolhimentos compulsórios dos bancos junto à instituição — em vez da elevação da taxa de juros, explica Cristiano Romero, editor executivo do Valor. Adicionalmente, o BC conta com a apreciação da taxa de câmbio como instrumento auxiliar de controle da inflação em 2013.
As mensagens do BC indicam uma retomada, pela autoridade monetária, de aspectos do tripé de política econômica que o governo vinha abandonando. Em resumo, analisa o jornalista, o BC avisa: se por constrangimento político não pode aumentar a taxa de juros para combater a inflação, o Copom precisa da taxa de câmbio, do esforço fiscal do setor público e de medidas macroprudenciais.