Claudia Safatle
Valor
Passado o susto do Pibinho de 0,6% no terceiro trimestre, os técnicos do governo continuam à cata de explicações para o que ocorreu que justifiquem um erro tão brutal de previsão (estimava-se um crescimento de 1% a 1,2% no período). Sobretudo, o que aconteceu com os setores de educação e saúde, que costumam apresentar crescimento de 2%, 3% e vieram com magro 0,1%. Trata-se, aqui, da contabilização do aumento dos gastos públicos nas três esferas – União, Estados e municípios – e seria normal esperar um bom desempenho dessas duas áreas num ano de eleições municipais.
Começam a surgir algumas explicações, mas a principal delas refere-se às desonerações do IPI que o Ministério da Fazenda ofereceu à indústria automobilística e aos produtos da linha branca e à desoneração também da Cide, sobre combustíveis. Juntos, foram subtraídos quase R$ 2 bilhões do Fundo de Participação dos Municípios, além de cerca de R$ 8 bilhões de restos a pagar que eram devidos pela União. Com menos verbas, os prefeitos aplicaram menos recursos na saúde e na educação, afetando o desempenho do PIB.
No caso do sistema financeiro, os técnicos acharam normal a retração ocorrida, já que houve uma compressão dos “spreads” ao longo do ano.
Isso mais do que confirma a ideia de que em economia há sempre um “trade off”, mesmo que ele não seja avaliado previamente. Ao tentar animar o consumo para reativar o crescimento da economia, o Ministério da Fazenda acabou por colher resultado contrário ao que desejava. E os prefeitos estão suando para fechar as contas nesse fim de mandato.