Comentando a Notícia
Abaixo, reproduzimos texto da Exame.com, com a colaboração de Tânia Monteiro, do Estadão Conteúdo, sobre discurso da presidente Dilma feito nesta semana. Comentaremos em seguida:
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Presidente destacou que, sem os programas sociais do governo, haveria 36 milhões de brasileiros na pobreza extrema atualmente
Wilson Dias/ABr
Dilma Rousseff: “A educação tem de ser a nossa grande obsessão,
tem de ser a obsessão de um país inteiro"
Brasília - A presidente Dilma Rousseff prometeu nesta quinta-feira (20), em discurso, acabar com a pobreza extrema do País até 2014. "Ao longo do governo Lula, nós conseguimos tirar 18 milhões (da pobreza extrema). Agora nós tiramos mais esses 16 milhões. Então, há um remanescente ainda que nós pretendemos atacar de forma sistemática até o final de 2014 e, com isso, nós chegaremos a um patamar em que o nosso país não terá pobreza extrema", previu Dilma, no almoço de final de ano com os oficiais-generais, ao fazer um balanço das medidas adotadas pelo governo para combater a crise internacional, sem esquecer de atender o social.
Depois de falar do Bolsa Família, a presidente acrescentou que "se nós nada tivéssemos feito, ao longo dos últimos dez anos, seriam 36 milhões de brasileiros na pobreza extrema hoje".
Para a presidente Dilma, existem duas formas de "tornar a saída da pobreza extrema sustentável". Segundo ela, uma delas é o emprego e a outra é a educação. Em seguida, disse que a destinação dos royalties do pré-sal para a educação, acrescentando que "a educação tem de ser a nossa grande obsessão, tem de ser a obsessão de um país inteiro" porque "a educação a pessoa carrega como seu patrimônio, aconteça o que acontecer, e torna sustentável a sobrevivência das pessoas e torna digna essa sobrevivência".
****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Uma coisa é afirmar que a educação “tem quer ser uma obsessão”, outra, e muito diferente, é tornar isto uma realidade, tornar corriqueira prática de políticas públicas. Vamos dar apenas um singelo exemplo, ou melhor até, vamos apresentar uma sugestão bem simples, trivial, e que poderia sinalizar que a tal “obsessão” presidencial está se realizando no dia a dia. Por que o governo federal não zera, isto aí, Z-E-R-A a carga tributária incidente sobres livros e material escolar em geral? E não apenas no consumo, mas em toda a cadeia produtiva de livros e material escolar?
Além disto, não basta, por exemplo, criar uma lei estabelecendo piso nacional para o magistério, se um grande número de governos estaduais simplesmente não cumpre. E alguns não cumprem não porque não querem, mas porque as finanças de seus estados não permitem, o que demonstra a distorção da própria lei que não levou em conta as singularidades de cada unidade federativa.
Assim, é bonito e dá manchete subir no palanque e proferir afirmações de efeito. Mas isto nossa secular demagogia política tem feito sem resultados e sequer empenho. Quando descemos à realidade do que é feito, do que se produz de prático para transformar estas frases de efeito em algo concreto, vemos o quanto a tal obsessão é coisa apenas de palanque. A elite política brasileira, congregada por TODOS os partidos políticos, independente de suas ideologias, sempre será inimiga de um povo educado. É na grande massa de ignorantes e semianalfabetos que reside sua força política, seus currais eleitorais.
Os dez anos de PT no governo federal não conseguiu produzir significativas melhoras na qualidade do ensino. Dá para se dizer até que, em muitos pontos, tivemos foi enorme retrocesso. Assim, para acabar com a miséria extrema, enquanto a educação não se consumar em PRIORIDADE DAS PRIORIDADES, nossos indicadores sociais continuarão deprimentes. E cito como exemplo a macunaímica manipulação estatística promovida pelo governo Dilma, em reduzir as faixas renda para engordar de forma falsa um batalhão de pobres como “classe média”. Convenhamos, não será com mentiras do tipo que a miséria extrema será debelada. Ela não se extingue por decreto, e sim por ações, por trabalho sério e honesto. É com crescimento econômico sustentado, é com educação de qualidade elevada à máxima potência em termos de investimentos públicos.
Para encerrar, trago um exemplo de como estes discursos não passam de palavras vazias, demagógicas, eleitoreiras. Por que até hoje o governo petista não admite que seus programas sociais não foram obra exclusiva do PT e sim estão na raiz dos Programas implementados pelo Comunidade Solidária comandados pela já falecida esposa de Fernando Henrique, Dona Ruth Cardoso? Enquanto os petistas não se reconciliarem com a história do país, a verdadeira calcada em fatos, e não em mistificações, enquanto praticarem esta macabra e falsa dança dos números destoantes da realidade, enquanto se consumirem em discursos cínicos sobre realizações suas e as passadas, não apenas a miséria extrema se manterá mas, sobretudo, a miséria moral continuará como empecilho ao desenvolvimento do povo brasileiro.
