domingo, janeiro 27, 2013

Governo estuda fim do grupo Eletrobras


Ramona Ordoñez 
O Globo

Companhia daria lugar a três holdings do setor elétrico

RIO – A Eletrobras, holding do setor elétrico, pode desaparecer, assim como todas as suas subsidiárias — Chesf, Eletronorte, Furnas, Eletrosul, Eletronuclear e CGTE —, responsáveis por 35,5% da geração energética do país. Para fazer frente à forte redução em suas receitas, de cerca de 70%, devido à renovação dos contratos de concessão com base na MP 579, começa a ganhar força, dentro do Ministério de Minas e Energia, a ideia de se avaliar os rumos que o grupo terá que tomar.

Uma fonte do setor afirmou ao GLOBO que uma possibilidade é a criação de três holdings para a área elétrica: uma de geração, outra de transmissão e uma terceira de distribuição. Cada uma delas absorveria os ativos das atuais subsidiárias da Eletrobras — os ativos de geração de Furnas, por exemplo, iriam para a holding de geração, e assim sucessivamente

Perdas de R$ 8,7 bilhões
Segundo a Eletrobras, a holding está estudando medidas para reduzir seus custos, que serão comunicadas ao mercado até o fim do primeiro trimestre. A empresa informou ainda que a queda de receita é estimada em R$ 8,7 bilhões anuais, “que serão compensados com a entrada em operação dos novos investimentos, como as usinas do (rio) Madeira, e com as medidas de redução de custo”.

A discussão da criação das holdings não está na pauta da reunião do Conselho de Administração que acontece hoje. Para o encontro do conselho, está prevista a avaliação de propostas de redução de custos para as empresas enquadrarem seu caixa à nova realidade financeira, devido à redução da receita.

Por enquanto, fontes descartam a possibilidade de a Eletrobras vender, por exemplo, suas participações acionárias em seis distribuidoras, principalmente no Norte e no Nordeste. A Eletrobras assumiu ao longo dos últimos anos o controle dessas distribuidoras, que enfrentavam sérios problemas financeiros e de gestão.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
É claro que o governo irá negar a informação, muito embora os estudos para reestruturação da Eletrobrás estejam em curso.

E é bom mesmo que a estatal seja reestruturada em razão do tombo colossal que a MP 579 provocou em sua rentabilidade. Do contrário, se tornará um ´poço sem fundo de recursos públicos. Mas vejam lá em cima: não foi apenas as mudanças que intervenção federal reduziram este rombo. Também o mau gerenciamento como a realização de negócios ruins do ponto de vista econômico e financeiro contribuíram pela má performance da companhia.  

Assim, mesmo que negue, a reestruturação se faz necessária e urgente para dar viabilidade à estatal. E estejam certos: o Tesouro Nacional, ou seja os contribuintes brasileiros, ainda irá jorrar muita grana para manter a Eletrobrás em pé. Cedo ou tarde, esta fatura terá de ter paga. É bom lembrarmos quem foram os governantes irresponsáveis que provocaram esta situação.