sexta-feira, fevereiro 15, 2013

Atenção ao comércio


Pedro Luiz Rodrigues


No primeiro mês e meio de 2013, a balança comercial brasileira registrou déficit de 4,7 bilhões de dólares. Pode assustar, pois saldos comerciais negativos simplesmente saíram de moda num Brasil que vem há anos dando um show de bola nessa área. Mas antes de se prenunciar o apocalipse, é fundamental analisar dados, ainda não disponíveis, sobre a composição da pauta de importação. Se uma parte razoável do aumento em nossas compras do exterior tiver se dirigido a bens de capital – máquinas e equipamentos, que sinalizam aumento de produção no futuro – tanto melhor, estaremos diante de uma boa notícia.

Digna de cautela será a notícia, porém, se no detalhamento das importações se verificar que seu crescimento deveu-se principalmente à entrada de produtos de consumo, duráveis ou não. E, mais do que isso, se esse comportamento foi apenas episódico ou se começa a delinear uma tendência.

Olhando-se os números gerais, não se vê nada de preocupante no front das exportações. Pelo contrário, vender quase 16 bilhões de dólares ao exterior em janeiro foi um resultado excepcionalmente bom, ainda que cento e tantos milhões de dólares abaixo do que se obteve em janeiro de 2012. Afinal, o dinamismo da economia chinesa arrefeceu-se um tanto, e as dos Estados Unidos e da Europa, nossos grandes parceiros do passado, continuam no atoleiro em que se enfiaram por sua própria imprevidência.

O governo brasileiro deve continuar na trilha em que está, com suas políticas de incentivo, visando reduzir custos de produção e aumentar a competitividade, sem deixar sequer passar pela cabeça ideias como a de modificar a política cambial. 

Devemos continuar esconjurando os péssimos exemplos que na área do comércio internacional vêm de países que nossos estrategistas decidiram estabelecer como aliados vitais e estratégicos,vejam vocês, a Argentina e a Venezuela. 

A Argentina nesse aspecto merece destaque, com seu licenciamento prévio às importações, com seu desrespeito tradicional às normas e regras do Mercosul. Essas más práticas, somadas a outras políticas heterodoxas nas mais diversas áreas, nada mais fazem do que preparar uma bomba cambial de efeito retardado que, quando explodir, gerará uma onda de panelaços  e -, já sabemos do fim, pois é uma história que sempre se repete no país vizinho – uma crise política de monumental proporção.

A Venezuela, por seu turno, que quase nada mais produz, por falta de previsão das elites chavistas, vem de decretar na terça-feira uma maxidesvalorização. Os venezuelanos que sabem os efeitos dessas desvalorizações – pois já passaram por cinco delas nos últimos dez anos – literalmente entupiram na terça-feira as lojas, em particular das de eletrodomésticos, e limparam as prateleiras, sabendo que quando os estoques forem repostos, virão com preços remarcados em mais de 50%.