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Apelidado de 'máquina do tempo', o programa faz em dias o que especialistas levam anos para realizar manualmente
(Thinkstock)
Ilha de Páscoa: o programa reconstituiu protolínguas austronésias,
que deram origem a línguas faladas na Polinésia, no sudoeste da Ásia,
na Austrália e em partes do Pacífico, como a Ilha de Páscoa
Desvendar línguas ancestrais é um processo longo e trabalhoso, que pode levar décadas de pesquisa, e ajuda a revelar pistas sobre a história da humanidade, em aspectos como cultura, política e comércio. Um programa de computador apelidado de "máquina do tempo", desenvolvido por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos, pode modificar esse cenário: de acordo com os pesquisadores, ele é capaz de acelerar o processo de reconstrução dessas línguas para uma questão de dias ou horas. O estudo foi publicado online nesta segunda-feira, no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).
Previsões para o futuro –
Além de acelerar o processo de reconstrução de protolínguas, esse programa pode sugerir como as línguas irão se modificar ao longo dos anos, daqui para a frente. "Nosso modelo estatístico pode ser utilizado para responder questões científicas sobre as línguas ao longo do tempo, não apenas sobre o passado, mas também para investigar como a língua pode mudar no futuro", afirma Tom Griffiths, integrante do grupo de pesquisadores.
O programa de computador se baseia na teoria linguística de que as línguas são organizadas em uma espécie de "árvore genealógica", refletindo as interações entre línguas ao longo dos anos, na qual raízes e troncos seriam as protolínguas e as folhas representam as línguas modernas. Os pesquisadores planejam utilizar o programa para reconstruir protolínguas indígenas da América do Norte.
O programa utiliza conceitos de lógica e estatística para reconstruir protolínguas (línguas que foram ancestrais comuns de diversas outras). Os pesquisadores o aplicaram a 637 línguas austronésias, que deram origem a línguas faladas em ilhas do sudeste da Ásia e do Pacífico e partes da Ásia continental, sobre as quais já existia uma base de dados de 140.000 palavras. O resultado replicava em 85% o trabalho feito manualmente por linguistas especializados.
Conheça a pesquisa
TÍTULO ORIGINAL: Automated reconstruction of
ancient languages using probabilistic models of sound change
ONDE FOI DIVULGADA: periódico Proceedings of the National
Academy of Sciences
QUEM FEZ: Alexandre Bouchard-Côté, David Hall, Thomas L.
Griffiths e Dan Klein
INSTITUIÇÃO: Universidade da Califórnia em Berkeley, EUA
RESULTADO: A reconstituição de protolínguas austronésias pelo
programa de computador replicava em 85% o trabalho feito por linguistas.
