Bruno Villas Bôas
O Globo
Num momento em que o governo quer induzir investimentos em infraestrutura, aplicação dos recursos no exterior divide opiniões
RIO — Os maiores fundos de pensão do país, vinculados a estatais — como Previ, dos funcionários do Banco do Brasil; Petros, da Petrobras; e Funcef, da Caixa Econômica Federal (CEF) — se preparam para lançar neste ano um ou mais fundos de investimento para aplicar em ações no exterior. O objetivo é destinar inicialmente cerca de R$ 1 bilhão ao mercado internacional, associados a outras fundações, para diversificar suas fontes de rendimento numa época de juros baixos. Num momento em que o governo quer induzir investimentos em infraestrutura, como portos, aeroportos e rodovias, a aplicação dos recursos no exterior divide opiniões. Os fundos de pensão estão entre os maiores financiadores da infraestrutura brasileira.
Um dos líderes do processo, a Previ, maior fundo de pensão da América Latina, mudou em dezembro suas regras internas para autorizar seus gestores a investir cerca de R$ 300 milhões no mercado global.
Segundo Antonio Benevides, gerente executivo de mercado de capitais da Previ, a intenção é comprar ações de empresas de primeira linha, como Boeing, Google e Johnson & Johnson.
— As commodities caíram e a Bolsa brasileira não vai bem, além da queda dos juros. Se tivéssemos essas empresas na carteira, teríamos diluído um pouco o risco. Queremos EUA e Europa. Ou seja, ações que tenham baixa correlação com Brasil. Somos bem diversificados aqui, mas lá fora não temos quase nada — explica Benevides.
Crise adiou investida no exterior
Diversificação e risco entraram no vocabulário dos fundos de pensão após a queda da taxa básica de juros, a Selic, nos últimos anos. E será necessário mesmo com uma eventual alta da taxa esta semana. Na média, os fundos são “juros-dependentes”. Dos R$ 641,7 bilhões investidos, 62% estão em renda fixa, como títulos públicos. Para cumprir metas atuariais — rendimento necessário para pagar a seus beneficiários ao longo dos anos —, os administradores precisam agora de novas fontes de retorno. Previ e Petros, por exemplo, cumpriram suas metas em 2012. A Funcef, não.
Carlos Fernando Costa, diretor de investimentos da Petros, reconhece que aplicar no exterior num momento de crise pode “não ser hoje o melhor investimento”, mas diz que os fundos de pensão precisam “pensar no futuro”.
— Há muitos anos, os fundos se preparam para aplicar lá fora, mas o desafio tem sido a crise e a conjunção de interesses (dos diferentes fundos de pensão). Cada um tem sua estratégia. Não é uma tarefa muito fácil — diz Costa.
Objetivo é diversificar aplicações
Os fundos de pensão planejam investir de mãos dadas por causa da legislação. Cada um pode ter no máximo 25% de participação num fundo de investimento que aplique no exterior. Por isso, 14 fundações têm participado das discussões.
— Todas as fundações estão nessa leitura de olhar para o exterior. Algumas estão mais adiantadas, outras fazendo dever de casa. Mas todos gastam tempo — diz Maurício Wanderley, diretor de Investimentos na Valia, o fundo de pensão da Vale, que deve investir no exterior a partir de 2014.
Quem vai gerir essa bolada são gestoras globais de recursos. Estão na disputa pesos-pesados como Blackrock, Credit Suisse, J.P.Morgan. Eles já fizeram apresentações aos fundos e aguardam uma resposta.
Mansueto de Almeida, economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), vê uma ironia no fato de os fundos de pensão destinarem recursos ao exterior num momento que o país tem carência na área de infraestrutura:
— É uma ironia porque o Brasil tem problemas de infraestrutura que vão levar uma década para serem resolvidos. O país vai precisar do dinheiro do resto do mundo, e fundos estão querendo investir no exterior — afirma.
Segundo Fabio Kanczuk, economista da USP-FEA, os fundos precisam não apenas diversificar, como investir mais do que US$ 1 bilhão.
— Um conceito básico de finanças a diversificar riscos. E isso inclui regiões geográficas, como ativos fora do Brasil — defende Kanczuk.
Os fundos de pensão alegam que investir no exterior não tira recursos da infraestrutura.
— Os investimentos não são excludentes. E o valor é pequeno para o tamanho dos fundos — diz o diretor da Funcef, Maurício Marcellini.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Sabem até as cadeiras e os tapetes caríssimos do Palácio do Planalto, coisas de países ricos, que uma das razões para o baixo crescimento brasileiro é a carência de investimentos, sejam eles públicos ou privados. Do lado público, a carência se deve a um governo que se dedica em torrar os bilhões que arrecada em inutilidades, em comprar a consciência de parte da sociedade, e claro, em enriquecer as pratarias dos palácios em que se instalam. Do lado privado, pela falta de confiança num governo intervencionista, que faz cara feia para o capital e o lucro que ele produz, esquecendo que é deste lucro que brota a riqueza do país, o desenvolvimento de um povo, o bem estar de toda a nação. Um Estado por si só, e irresponsável como o nosso, só produz o enriquecimento imoral de uma casta política, afora na instauração de um regime anárquico e delituoso ao extremo.
Pois bem, tais considerações se devem ao que se lê: fundos de empresas estatais que deveriam, por óbvio confiar no Estado que os alimenta, que deveriam se dedicar em devolver ao próprio país que os sustenta, um pouco mais de retorno, prefere levar o dinheiro daqui para o exterior. E vejam o detalhe: justamente descreem de um governo que se alimento de um nacionalismo bucéfalo e atrasado.
Fique claro que nem os fundos das estatais confiam no governinho encastelado no Planalto.Sabem e conhecem bem as entranhas daquela gente “progressista”, que adora enfiar a mão no bolso alheio, por qualquer meio legal e ilegal que se possa imaginar...
No link, o leitor acessa texto aqui publicado da Veja online sobre as advertências dadas à política de “conteúdo nacional” implementada pelo governo Dilma (Lula também deu suas cacetadas), e o quanto tal política poderia ser perigosa para o Brasil.
Parece que as nossas estatais na hora de investir através de seus fundos de pensão, ignoraram as recomendações da “mamãe” Dilma e preferiram gerar emprego e renda lá fora...É a velha história “em casa de ferreiro, espeto de pau”.
Conteúdo nacional: a doutrina perigosa de Dilma