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Com Estadão Conteúdo
Segundo o ministro, Petrobras tem interesse em fazer negócios lucrativos e não teria prejuízos se fechar acordos com o Porto de Açu
(ABR)
"A Petrobras não é um órgão para ajudar outras empresas,
diz Edison Lobão, ministro de Minas e Energia
A Petrobras negocia com o empresário Eike Batista o uso do Porto do Açu, no norte do Rio. Contudo, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, negou, nesta quinta-feira, que o objetivo da petroleira e do governo brasileiro seja apenas o de ajudar o empresário. A declaração foi dada na sede da Embaixada do Brasil nos Estados Unidos, onde Lobão apresentou as os projetos de licitação do setor de petróleo para investidores.
"A Petrobras não é um órgão para ajudar outras empresas. Ela não fará isso, mas poderá fazer associação, se for do interesse da empresa, com o grupo do Eike", declarou. "O Porto do Açu é útil para a Petrobras", afirmou Lobão, explicando que a infraestrutura que está sendo construída no local pode ser usada pela estatal na produção do pré-sal. Segundo ele, se a Petrobras fechar acordos com o Eike, a petroleira não terá prejuízos. Lobão disse ainda que se a companhia não fizer um acordo com o empresário, fará com outros investidores.
Questionado sobre se a forte queda das ações das empresas de Eike prejudicam a imagem do Brasil no exterior, Lobão disse que. nos Estados Unidos, houve quedas acentuadas no setor imobiliário e em ações de bancos, alguns quebraram, e nem por isso a imagem do país ficou ruim. "As empresas inflam, as empresas murcham e muitas conseguem se recuperar. É da natureza da iniciativa", disse.
Sobre as licitações no setor de petróleo e gás este ano, Lobão disse que as discussões dos royalties no Congresso e eventuais atrasos na votação não devem afetar esses leilões. "Os cronogramas já estão todos definidos", disse.
Contexto -
Desde o início do mês saem notícias nos jornais de uma aproximação da presidente Dilma Rousseff com o empresário Eike Batista. A localização do Porto de Açu, na cidade de São João da Barra, no litoral norte do RJ, seria estratégica para a Petrobras, uma vez que não há nenhum porto disponível com capacidade suficiente para servir de base à produção do pré-sal na Bacia de Campos.
Além disso, a parceria poderia ser motivada também pelo temor, por parte de Dilma, de que as dificuldades das empresas “Xs”, que amargam perdas sucessivas e fortes na bolsa brasileira, possam afetar a imagem do Brasil no exterior e espantar investidores estrangeiros, em um momento em que o país precisa de grandes volumes de recursos para seus planos de infraestrutura e logística.
Até agora nada de concreto foi firmado, mas Eike se reuniu com a própria Dilma Rousseff recentemente, o que trouxe mais fôlego às especulações de que o governo possa ajudar o empresário a avançar com seus projetos.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Parece que o senhor Lobão não tem o menor compromisso com a verdade. Basta que se compare o volume de recursos repassados para Eike em detrimento de outras empresas com muito mais história, patrimônio e utilidade. É bom lembrar que Eike, rigorosamente, tem apenas empresas em fase pré-operacional, não passando, portanto, de meras promessas. Quantas empresas receberam de mão beijada do BNDES cerca de R$ 10 bilhões, ministro Lobão?
Além disso, conforme informa a Revista Época, “... O funcionário Pietro Adamo Sampaio Mendes, da Agência Nacional do Petróleo (ANP), multou no início do ano a OGX, de Eike Batista, em US$ 300 milhões. Em março, a ANP anulou a multa e retirou-o da função. Mendes processou a ANP. Em medida cautelar impetrada na Justiça Federal do Rio de Janeiro, ele relata que questionou a instalação e supressão de uma válvula de segurança usada na extração de petróleo. Mendes diz que considerou as respostas da OGX insuficientes e aplicou lhe a multa, depois anulada pela superintendência jurídica da ANP. Posto à disposição do departamento de pessoal, Mendes soube que poderia ser transferido do Rio para o Norte do país. Recorreu à banca Sylvio Manhães Barreto para ficar onde está. A ANP diz que o lugar onde ele trabalha depende da instituição, não dele. A OGX não se pronunciou.” É bom lembrar que nem a estatal Petrobrás contou com tamanha parcimônia, para se dizer o mínimo...
Se isso não é privilégio prá lá de especial, não se sabe que outro nome a mamata pode ter.
Por fim, e amanhã publicaremos a reportagem sobre o assunto da Folha de São Paulo, o governo federal montou uma verdadeira operação de guerra para salvar o senhor Eike da bancarrota. O socorro ao combalido grupo X, como é conhecido o império de empresas de Eike Batista que levam por superstição a letra nos seus nomes, começará pela petroleira OGX. O plano envolve um sócio russo, a venda de ativos e parcerias com a Petrobras em novos campos de petróleo.
Segundo a Folha apurou, a empresa negocia de forma avançada com a petroleira russa Lukoil, que pretende atrair como parceira, e com a malaia Petronas, para quem deseja passar parte de campo de petróleo para fazer caixa.
Portanto, o ministro Lobão deveria ao menos nos poupar de suas mentiras e descalabros. Acho que ele tem idade suficiente para ter, pelo menos, senso do ridículo já que a vergonha já foi embora, faz tempo! Não sei a quem o ministro pensa que engana.
