domingo, abril 21, 2013

Governo brasileiro pede mudanças no Pisa. A pretensão seria piada se não fosse ridícula!


Demétrio Weber 
O Globo

Depois de contestar o último ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o Ministério da Educação (MEC) vai pedir à Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mudanças na divulgação de resultados e na amostra de estudantes que participam do Programa Internacional de Avaliação de Alunos, o Pisa, exame que mede conhecimentos de leitura, matemática e ciências de jovens de 15 anos, em 65 países e territórios.

O MEC critica o fato de que a China apareça em primeiro lugar no ranking do Pisa de 2009, na medida em que o gigante asiático de 1,3 bilhão de habitantes selecionou para fazer a prova apenas estudantes de Xangai, com população inferior a 30 milhões de pessoas.

- Não queremos mascarar nenhum dado. Mas precisamos discutir o que estamos comparando - resume o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Luiz Claudio Costa.

Ele apresenta a proposta à equipe técnica do conselho diretivo do Pisa neste domingo, em Lisboa, Portugal. Na segunda-feira, começa a 35.ª reunião do conselho.

Costa diz que a amostra chinesa no Pisa de 2009 - última edição com resultados já divulgados - reuniu alunos de apenas 29 escolas de Xangai, enquanto o Brasil foi representado por jovens de 926 estabelecimentos públicos e privados de municípios e bairros com diferentes perfis socioeconômicos. 

Na média geral das três áreas avaliadas, o Brasil ficou na 53.ª posição, em pior situação do que Chile, Uruguai ou México e à frente de Colômbia, Argentina e Peru.

O MEC quer que a divulgação de resultados do Pisa leve em conta a representatividade das amostras de cada país. 

Assim, haveria pelo menos dois rankings: um do bloco de nações como o Brasil, onde os jovens avaliados correspondem ao universo geral de estudantes, e outro em que o alunado está apenas parcialmente representado.

Costa vai propor também novas regras de definição de amostras. 

Embora o Pisa selecione alunos pela idade, o MEC argumenta que a data de início do ano letivo pode interferir na série em que os jovens de 15 anos estão matriculados.

No Brasil, participam estudantes do 1.º ano do ensino médio e do 8.º e 9.º do ensino fundamental. 

A ideia defendida por Costa é fixar percentuais de alunos por série na amostra, evitando que um país seja representado por maior número de jovens das séries mais avançadas ou vice-versa. Ele afirma que não se trata de uma tentativa de dribar o atraso escolar dos alunos brasileiros.

O presidente do Inep viajará acompanhado de dois especialistas brasileiros em avaliação: Ruben Klein, da Fundação Cesgranrio e presidente da Associação Brasileira de Avaliação Educacional, e Tufi Machado Soares, da Universidade Federal de Juiz de Fora. Os dois fazem parte da comissão de especialistas que assessoram o Inep.

Costa diz que o assunto vem sendo discutido há um ano e que não tem relação com as críticas do governo ao IDH, divulgado há três semanas pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). O Pisa foi aplicado pela última vez em 2012 e os resultados serão divulgados em dezembro.

No caso do IDH, o governo brasileiro contestou o uso de dados de 2005, apesar da existência de informações mais recentes, e a exclusão de crianças da pré-escola nos cálculos do número de matrículas, o que contribuiu para diminuir o IDH brasileiro.

- O Brasil vai estar sempre questionando com altivez qualquer questão técnica que tenha relevância, seja no IDH, no Pisa ou o que for - diz Costa.

Por e-mail, o diretor da OCDE responsável pelo Pisa, Andreas Schleicher, disse que compreende a preocupação com a posição da China no ranking. Segundo ele, a OCDE discute com o governo chinês a possibilidade de que a amostra de estudantes na próxima edição do exame, em 2015, seja representativa de todo o país.

"Claramente, os resultados de Xangai não podem ser considerados representativos de toda a China. É mais como fazer comparações com São Paulo ou Rio. Entretanto, estamos trabalhando com o governo chinês para garantir que o país inteiro seja coberto na próxima edição do PISA. Estou confiante de que isso será resolvido com o tempo", diz Schleicher.

Em relação a um novo desenho da amostra, Schleicher mostrou-se reticente: "O período de provas é ajustado para cada país de modo que todos os países possam participar no mesmo ano letivo. É verdade que uma parcela significativa de estudantes brasileiros está em séries mais atrasadas do que em outros países, mas isso não é relacionado ao ano letivo."

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Por mais desculpas esfarrapadas que os nossos “deseducadores”  apresentem, a verdade é que vão tentar mudar critérios do PISA para apresentarem um retrato colorido aqui dentro. Como não conseguem manipular os resultados, e eles representam o péssimo governo que ai está, acham que é melhor mudar os critérios de avaliação (em favor do Brasil, é claro) do que em fazerem o correto dever de casa. 

O que esta gente precisa é de mais vergonha na cara. Seja como for, a pretensão do governo brasileiro denota a imensa incompetência em qualificar a educação que, apesar dos discursos, jamais foi ou será prioridade. Povo mau instruído e desinformado é mais fácil de manobrar com mentiras oficiais...