segunda-feira, maio 13, 2013

Jovens sequestradas tentam voltar à rotina após dez anos

Veja online

Família pede respeito à privacidade das meninas. Michelle Knight, que não quer voltar à casa da mãe, pode estar com companheira de cativeiro

 Divulgação
Amanda Berry e  Gina DeJesus desaparecidas a cerca de 10 anos, 
foram encontradas nesta terça-feira (7) em Cleveland, nos Estados Unidos 

Amanda Berry, Gina DeJesus e Michelle Knight, libertadas há cinco dias da casa dos horrores do sequestrador Ariel Castro em Ohio, nos Estados Unidos, iniciaram neste sábado o primeiro fim de semana depois de uma década de cárcere, abusos sexuais e todos os tipos de humilhação. As famílias de Amanda e Gina pediram mais uma vez que respeitem a privacidade das jovens e os principais canais de TV de Cleveland anunciaram a retirada de suas equipes da frente das casas das vítimas. 




A multidão de globos e bonecos que vizinhos e desconhecidos depositaram em frente à casa de Gina, desde que foi noticiada a libertação das três jovens, também se desfez. Ainda resta um cartaz de boas-vindas à garota, que havia desaparecido em 2004, e um grande plástico azul foi colocado no quintal aos fundos do imóvel, para manter a intimidade da família.  

O que ainda não está claro é o paradeiro de Michelle Knight, 32. Ela, que foi a primeira a ser sequestrada por Castro, não quer voltar para a família, que a deu por morta e desistiu de procurá-la, e estaria na casa de Gina. Nenhum porta-voz oficial da família de Gina confirmou o fato, mas os rumores dispararam depois que parentes de Michelle, como a avó Deborah Knight, se apresentaram na residência para ver a garota. Alguns veículos de imprensa americanos chegaram mesmo a noticiar o interesse da família de Gina em adotar Michelle, outra informação não foi confirmada. A um canal de televisão local, Deborah disse que Michelle foi agredida diversas vezes na face durante o cativeiro e precisa de uma cirurgia plástica para reconstruir o rosto. 

A polícia de Cleveland retirou Michelle da lista de pessoas desaparecidas do FBI em 2003, o que ocorre quando uma pessoa deixa de ser procurada por dez anos. No entanto, a polícia disse também que a decisão foi tomada porque os investigadores foram incapazes de localizar a mãe de Michelle, Barbara Knight, para confirmar que a garota seguia desaparecida. Nesta semana, Barbara tentou ver a filha no hospital na quarta-feira, mas ela não autorizou a entrada. Segundo a rede de televisão ABC, a mãe, que agora vive na Flórida, contratou o advogado Jay Milano para tentar contato com a filha.

Segundo os relatórios policiais filtrados pela imprensa americana, Michelle foi a vítima que mais sofreu nas mãos de Ariel. Os relatórios indicam que Michelle ficou grávida cinco vezes e que em todas as ocasiões Castro a forçou a abortar batendo repetidamente no estômago e deixando-a dias sem comida. Quando Amanda ficou grávida, Michelle ainda foi obrigada a realizar o parto sob ameaças de Ariel, que teria dito que a mataria se algo acontecesse com o bebê, hoje uma menina de seis anos.

A casa dos horrores onde Castro manteve as três jovens reféns teve as janelas totalmente cobertas com painéis de madeira e protegida por uma cerca que a polícia instalou para evitar a entrada de curiosos. A polícia também instalava, neste sábado, cerca em votla de duas casas adjacentes à de Castro. Em uma delas, o FBI esteve trabalhando desde o início do caso, embora não tenha revelado sua conexão com a ação do sequestrador.

A instalação da cerca permitirá que a polícia reabra o trânsito na avenida Seymour, em Cleveland, onde se encontra a casa de Castro. Enquanto isso, o squestrador segue preso no condado de Cuhayoga, em Cleveland, vigiado 24 horas do dia perante o temor de que o acusado possa cometer suicídio. Apesar do possível desejo do monstro de se matar, o promotor Timothy McGinty, do condado de Cuyahoga, em Cleveland, estuda pedir sua pena de morte. 

Castro compareceu a um tribunal de Ohio nesta quinta-feira para enfrentar quatro acusações de sequestro e três de estupro. A fiança estipulada para o criminoso é de oito milhões de dólares.