Cesar Felício
Valor
Vale ignorou proposta da Argentina, diz governo brasileiro
BUENOS AIRES - O assessor para assuntos internacionais da presidência da República, Marco Aurélio Garcia, afirmou nesta quinta-feira, em Buenos Aires, que o governo argentino chegou a formalizar uma proposta à mineradora Vale para a retomada do projeto de exploração de potássio do rio Colorado. "A proposta foi feita à empresa e comunicada ao governo brasileiro" disse.
O assessor da presidência afirmou que os governos do Brasil e da Argentina viram com desagrado o fato de a mineradora ter confirmado a decisão da companhia de não levar adiante o projeto no mesmo dia em que o tema era debatido pelas presidentes. "Achei um absurdo o comunicado que a empresa fez. Foi uma desatenção enorme e lamentável, existindo uma proposta muito aceitável colocada sobre a mesa", disse. O assessor não informou detalhes da proposta.
Murilo Ferreira, presidente da Vale, ressaltou a decisão de sair da operação em uma teleconferência com jornalistas, na tarde também do dia 25, exatamente no instante em que o governo brasileiro se animava com a possibilidade das negociações entre a empresa e o governo argentino serem retomadas.
"Esperamos que haja uma negociação por uma questão muito simples e de caráter estratégico: haveria mais estabilidade na oferta, porque toda a produção seria escoada para o Brasil. Nós fizemos um esforço muito grande para encontrarmos uma solução, mas trata-se de uma questão envolvendo uma empresa privada, e o governo brasileiro não vai participar. Estamos torcendo da arquibancada. A proposta argentina será discutida pela Vale no momento devido", afirmou Garcia.
Questionada sobre a informação, a assessoria de imprensa da Vale informou que não comentaria o assunto.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Para começo de conversa, entre uma enorme diferença entre "ignorar" e "não concordar". A Vale não ignorou coisa nenhuma como o governo tenta impor, até porque houve mesa de negociações. Ocorre que a companhia levou em conta alguns fatores que, por conveniência política, o governo brasileiro tenta ignorar. Um, não se pode jogar dinheiro bom em negócio ruim e com duvidoso retorno. Dois, o excessivo intervencionismo estatal não oferece segurança jurídica a nenhum investimento privado. Tanto é assim, que dezenas de empresas estrangeiras simplesmente fecharam suas portas e foram embora. Terceiro, a Vale não é uma entidade beneficente. Trata-se de uma empresa privada que investe seu capital para obter lucro e, neste sentido, a viabilidade econômica do empreendimento na Argentina não demonstrou-se suficientemente positivo.
Para encerrar: não compete ao governo brasileiro fazer juízo de valor sobre decisões de empresa privada. Que o governo Dilma continue acovardado diante das seguidas quebras de acordos comerciais por parte do governo Cristina Kirchner, isso é lá problema do governo Dilma. Porém, não lhe compete querer carregar as empresas brasileiras para o mesmo abismo.
Parabéns para a direção da Vale pela decisão corajosa e responsável, uma vez que ela deve satisfações aos seus acionistas e não ao governo da senhora Dilma Rousseff, muito menos a seus assessores de quinta categoria.
