Helio Fernandes
Tribuna da Imprensa
Todas as análises e observações são preocupantes. O país caminha aceleradamente para a obsessão pelo Poder, manobrada perigosamente pelos que estão no Poder e querem mais. Ou seja, o que se vê, e não precisa de binóculo político ou eleitoral, é a implantação de uma espécie de chavismo pré-pago, e sem bolivarianismo.
Seria o terceiro golpe em 73 anos. É muito? Não é não, em vez do terceiro, poderíamos aumentar o número, passar a contar a partir de 15 de novembro de 1889, quando ocorreu a posse indireta dos marechais Deodoro e Floriano. Que vieram brigados da estranha Guerra do Paraguai. Fizeram as pazes, pelo Poder.
PARLAMENTARES ATACAM O SUPREMO E “LIVRAM A CARA” DO EXECUTIVO
Sempre foi o Executivo que oprimiu o Legislativo. É ele que tem o Poder de distribuir favores, cargos e privilégios, para que o Congresso aceite a “opressão”, gostosa e gloriosamente. O Judiciário não tem o que oferecer, a não ser julgamentos constitucionais.
MEDIDAS PROVISÓRIAS, SÓ “URGENTES E RELEVANTES”
A Constituição de 1988 criou esse tipo de votação, mas condicionou para casos “urgentes e relevantes”. Só que passou a servir para tudo e para todos os presidentes, até hoje. FHC, no cargo, retumbou a advertência que está no título da matéria.
DE GAULLE CRIOU ESSAS MEDIDAS PARA ACELERAR E NÃO PARA DOMINAR
Eleito presidente da França, enviou para o Congresso medidas provisórias, com sentido inteiramente diferente. Precisavam ser votadas em 30 dias. Votadas, ganhava o Congresso ou o Executivo. Se não fossem votadas nesse prazo, eram arquivadas, o assunto não poderia mais ser discutido durante 2 anos. O inverso do que fazemos.
MARCO MAIA ESTÁ DE VOLTA AOS HOLOFOTES
Presidente da Câmara, ficou deslumbrado durante 2 anos. Saiu do cargo, desapareceu. Agora apresenta projeto, retumbando tudo o que desgasta a relação entre os Poderes.
Como presidente, exagerou nas tolices, saiu sem vaias ou aplausos, ignorado.
RENAN SATISFEITÍSSIMO: “AGORA O SUPREMO VAI ARQUIVAR MEU PROCESSO”
No plenário, Executivo e Legislativo fingiam brigar, debater, defender convicções. Houve um resultado, a presidente VETOU. Pois ninguém se incomodou, os VETOS foram se acumulando, Executivo e Legislativo pareciam não saber de nada. Quando um ministro do Supremo mandou examinarem os VETOS, não havia solução. Como votar aquela enxurrada, ”esquecida”?
AÉCIO NEVES ESTÁ CONVERSANDO ERRADO
No Paraná, tem procurado o governador Beto Richa (PSDB, o mesmo dele). Mas devia conversar com Alvaro Dias (também PSDB), que tem mais história e mais votos do que o governador. Além do mais, Beto é um oceano de ambição, não liga para ninguém.
O candidato a prefeito de Curitiba era do seu partido, negou-lhe a legenda, ele trocou de partido, foi eleito, ganhou do ex-correligionário.
Alvaro Dias foi governador, senador duas vezes, líder no Senado. Disputa a reeleição em 2014, apesar de haver apenas uma vaga, favoritíssimo.
AS IRREGULARIDADES DO PC DO B CONTINUAM IMPUNES
Aldo Rebelo é ministro do Esporte. Orlando Silva, do mesmo PCdoB, teve que deixar o cargo por excesso de irregularidades. Não aconteceu nada, impunidade ampla, geral e irrestrita, se candidata a vereador, ficou como primeiro suplente. Lógico, deram um “jeito”, assumiu.
Agora, membros desse mesmo PCdoB estão envolvidos em desvio de dinheiro alto do “Minha Casa, Minha Vida”. Dona Dilma, que aposta grande parte da reeleição nesse projeto, não toma providências. A Dilma “faxineira” existia apenas no início do mandato. Agora, esquece inteiramente os autores desses desvios de um projeto dos mais saudáveis e satisfatórios.
OS DILEMAS E PROBLEMAS DE EDUARDO CAMPOS
Precisa desesperadamente eleger o governador de Pernambuco, ou seja, fazer o sucessor. Para ser presidenciável, é obrigado a deixar o cargo em março/abril de 2014. Assume o vice João Lyra Neto do PDT. O antigo partido de Brizola, convencido de que Campos sai mesmo, não se interessa em conversar, quer assumir sem compromisso.
UMA HIPÓTESE: FAZER ACORDO COM O PDT
Digamos que se entendam, a desincompatibilização de Campos será aparentemente tranquila. Só aparentemente. Fernando Bezerra, do PSB, é todo poderoso ministro da Integração Nacional. Não esconde que pretende ser candidato a governador, com apoio explícito, aberto e franco de Eduardo Campos.
Se não tiver o apoio do governador, Bezerra deixará o PSB, irá mesmo para o PT, seria candidato com apoio de Dilma e Lula. Nem é inédito. Em Brasília, Agnelo Queiros era candidato a governador pelo PCdoB. Foi pedir apoio a Lula, ouviu a resposta: “Só se for pelo PT”. Agnelo não conversou, mudou para o PT, foi eleito, apesar de todos os rumores e indícios.