quarta-feira, maio 29, 2013

PIB menor, inflação resistente e o mundo anda complicado

Míriam Leitão  
O Globo

O resultado do PIB do primeiro trimestre confirmou a previsão mais pessimista: crescimento de 0,6% em relação aos últimos três meses de 2012. Alguns economistas previam alta de 1%, em linha com o número estimado pelo BC.

É crescimento, mas foi uma decepção. Esse dado certamente vai influenciar o segundo acontecimento do dia, a decisão sobre a taxa de juros. Fica mais difícil para o Copom dar um aumento mais forte, de 0,5 ponto. A inflação está alta, mas o IGP-M, divulgado também hoje, veio menor, já o crescimento está decepcionando.

O destaque do PIB foi a agropecuária, como se esperava, com alta de 9,7% na comparação com o último trimestre e de 17% em relação ao mesmo período do ano passado. Mas há outras notícias ruins, como o encolhimento da indústria (-0,3% e -1,4%, respectivamente). A construção civil e a extrativa mineral recuaram.

Portanto, a primeira notícia do dia não é boa, porque não confirmou as melhores expectativas. De qualquer maneira, o país começou o ano crescendo, mas no mesmo ritmo do final do ano passado. É um crescimento decepcionante diante da expectativa que se tinha. A MB Associados e a Gradual Investimentos acertaram o resultado.
O consumo das famílias cresceu 2,1%, pela 38ª vez seguida, na comparação com o mesmo período de 2012, mas ficou quase estagnado ante o último trimestre de 2012.

O PIB cresceu, mas o número não foi brilhante.

BC deve subir os juros em 0,25 ponto
O BC está diante do pior cenário: a economia anda devagar, e a inflação está espalhada e resistente. Além disso, os sinais de fora são confusos. Com a economia americana se recuperando, o BC dos EUA continuará comprando títulos para jogar dinheiro no mercado, mas em menor quantidade. Isso fortalece o dólar, que sobe e bate na inflação.

Já a China envia sinais de desaceleração. O índice de encomendas feitas pelos gerentes de compras, que simula o que vai acontecer com a produção industrial, mostrou diminuição em maio. A China reduzindo o ritmo é outra complicação.

É muito difícil para o BC tomar a decisão. Os juros vão subir, mas acho que a alta será de 0,25 ponto. Mesmo que a cautela tenha saído dos pronunciamentos do presidente do BC, nesse momento, um movimento mais forte pode ser complicado. É preciso entender melhor porque a economia teve um desempenho abaixo do esperado.