O Globo
Próximo à presidente Dilma, Nelson Barbosa pode deixar posto até meados do ano, segundo fontes do governo
Relação de secretário com ministro Mantega vinha sofrendo desgaste
Há rumores de que substituto será Arno Augustin, secretário do Tesouro
Gustavo Miranda / Arquivo O Globo
Uma das mais recentes tarefas de Barbosa
foi a elaboração da proposta de reforma do ICMS
RIO —O secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, que está no cargo desde 2006, pediu demissão há cerca de dois meses e pode deixar o posto até meados do ano. A notícia, publicada neste sábado na “Folha de S.Paulo”, foi confirmada por fontes do governo. A Fazenda não comenta. Nelson Barbosa não foi localizado para falar de sua saída.
A presidente Dilma Rousseff foi informada do pedido de demissão de Barbosa. Ele é considerado um dos formuladores da política econômica do governo e sua relação com o ministro da pasta, Guido Mantega, já vinha sofrendo alguns desgastes.
Uma das mais recentes tarefas de Barbosa foi a elaboração da proposta de reforma do ICMS, que tem alíquotas muito díspares entre os estados brasileiros. Era uma das prioridades do governo a unificação e a redução das tarifas para evitar a guerra fiscal e reduzir o chamado Custo Brasil. A votação está travada no Congresso por falta de acordo. São Paulo é um dos principais opositores do texto por temer perda de receitas.
Nelson Barbosa é considerado um defensor da elevação dos investimentos públicos para conter os efeitos da crise econômica, o chamado efeito anticíclico.
Há rumores de que o substituto de Barbosa pode ser o secretário do Tesouro, Arno Augustin, que também goza de excelente reputação com a presidente Dilma. Mas fontes indicam que ainda existe uma remota possibilidade de Barbosa ser convencido a permanecer no posto.
Além de secretário executivo da Fazenda, Barbosa é também professor adjunto do Instituto de Economia da UFRJ, desde 2002. No Ministério, desde 2006, passou pelas secretarias de política econômica, acompanhamento econômico, política macroeconômica e análise de conjuntura. Também já atuou como assessor da presidência do BNDES e no Banco Central.
