BBC Brasil
Deslocados de Baniya temtam buscar refúgio na cidade de Tartus, mas são impedidos
Centenas de sírios estão fugindo das áreas costeiras do país, onde ativistas ligados à oposição acusam forças do governo de promover massacres em uma suposta campanha de "limpeza sectária".
A matança mais recente teria ocorrido na região de Baniyas. Imagens de corpos mutilados e queimados, supostamente captadas no local, foram publicadas na internet.
Ativistas disseram que ao menos 77 pessoas (20 delas da mesma família) foram mortas na cidade de Ras al-Nabaa. As mortes ocorreram um dia após os assassinatos de 72 moradores de Bayda.
O governo de Bashar Assad afirmou que contra-atacou "grupos terroristas" e reestabeleceu a paz e a segurança na área.
Segundo os ativistas, a primeira das duas matanças havia ocorrido na vila sunita de Bayda na última quinta-feira. Entre as vítimas estavam mulheres e crianças. Eles listaram os nomes das 72 vítimas.
Nos dois casos imagens de vítimas foram publicadas na internet. Mas, como a imprensa internacional não tem autorização do governo sírio para trabalhar livremente no país, elas são difíceis de se verificar.
O correspondente da BBC no Líbano, Jim Muir, disse que as imagens mostram muitos corpos ensanguentados e emaranhados de mulheres e crianças. Parte deles traz sinais de mutilação e incineração.
Centenas de famílias estão fugindo da região de Baniyas em direção ao sul. O objetivo delas é chegar à cidade de Tartus, mas ativistas afirmaram que os deslocados internos estão sendo impedidos de se estabelecer e obter abrigo no local.
O bloqueio à chegada das famílias estaria sendo realizado pela Shabbiha, uma milícia favorável ao governo.
Segundo Muir, há uma forte dimensão sectária nessas ações. Ele afirmou ainda que opositores de Assad acusam o governo de lançar uma campanha de "limpeza sectária".
A operação também está sendo interpretada como um sinal de determinação de Assad para lutar pela posição de seu governo e consolidá-la.
O presidente sírio fez uma aparição pública neste sábado na Universidade de Damasco, segundo a mídia estatal. Cercado por seguranças em meio a uma multidão, ele inaugurou uma estátua dedicada aos "estudantes mártires".
Ataques aéreos
Matanças anteriores
Abril de 2011: Mais de 70 pessoas não mortas quando forças de segurança disparam contra multidões em Daraa e Damasco
Dezembro de 2011: Ativistas dizem que mais de 100 militares desertores são mortos em dois dias na província de Idlib
Maio de 2012: mais de 100 são mortos em Houla, perto de Homs. Mais tarde a ONU culpou tropas sírias e milícias pelos assassinatos
Agosto de 2012: Testemunhas e opositores dizem que 300 pessoas são mortas por forças do governo em Darayya, um subúrbio de Damasco
Janeiro de 2013: Ao menos 100 pessoas são assassinadas e queimadas em suas casas em Haswiya, perto de Homs
Enquanto isso, militares israelenses confirmaram que o país lançou um ataque aéreo em território sírio.
Sob anonimato, oficiais afirmaram que o alvo do foi um carregamento de armas supostamente destinado ao Hezbollah, no Líbano.
Os governos de Israel e da Síria não comentaram o ataque. Em janeiro, Israel havia realizado ação semelhante ao atacar um comboio que transportaria armas.
Armas químicas
Esforços internacionais para lidar com a violência na Síria recentemente se focaram no suposto uso de armas químicas pelo regime.
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que se tais ações forem confirmadas, elas poderiam mudar a posição atual americana em relação ao conflito. Mas, na sexta-feira, Obama disse que ainda não encarava a possibilidade de enviar tropas à Síria.
Porém, os EUA voltaram a discutir a ideia de fornecer armas aos opositores de Assad – hipótese que Obama havia recusado no ano passado.
Analistas dizem que a Casa Branca e seus aliados estariam debatendo ainda a ideia de usar ataques aéreos para criar uma zona de exclusão aérea sobre o país. Porém, a Rússia se opôs a essa possibilidade.
Em comunicado, o governo americano afirmou que estava "chocado" com os últimos episódios relatados por ativistas na região costeira.
"Nós condenamos fortemente atrocidades contra a população civil e reforçamos nosa solidariedade com o povo sírio".
"Uma vez que a violência do regime de Assad contra civis inocentes aumenta, não vamos perder de vista os homens, mulheres e crianças cujas vidas estão sendo tão brutalmente reduzidas".
"Os responsáveis por sérias violações do direito humanitário internacional e da lei de direitos humanos devem ser responsabilizados".
