Gustavo Santos Ferreira
O Estado de São Paulo
O jornal espanhol El País desta segunda-feira, 3, pergunta: “O Brasil precisa mudar seu modelo econômico?”. A resposta do analista Juan Arias parece clara.
A tática “vitoriosa” do governo Lula, de incentivar o consumo, e não o investimento, está “esgotada” – destaca o texto. A constatação é semelhante à do próprio ministro da Fazenda, Guido Mantega. Na última quarta, pela primeira vez enfaticamente, admitiu-se necessária mudança de rumos na política econômica.
(FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO)
Dilma. ‘Boa gestora’?
A nova rota a seguir foi apontada pelo ministro Mantega ao comentar o avanço de apenas 0,6% do PIB do primeiro trimestre do ano. Seria o mesmo sinal dado pelo Banco Central na noite do mesmo dia 29 de maio, quando saiu o pibinho.
De acordo com o artigo, ao subir os juros básicos (Selic) em 0,50 ponto porcentual (para 8,00%) ao ano, mostrou-se que o ponto de apoio do crescimento brasileiro deve ser o investimento (ou a Formação Bruta de Capital Fixo, no jargão econômico).
Mereceu destaque na análise a sucessão de PIBs minguados do Brasil. Nos dois últimos anos, a soma de bens e serviços produzidos pelo País cresceu 2,7% (2011) e 0,9% (2012) – “tão pouco em relação ao seu potencial”, foi escrito.
Apesar das desonerações e concessões praticadas pelo governo, os resultados positivos tardam em aparecer, como mostram os números mais recentes. A presidente Dilma Rousseff não consegue exercer sua fama de “grande gestora e economista competente”, mas, pondera o articulista Juan Arias, não por sua culpa. Estão programados investimentos da ordem de US$ 235 bilhões nas áreas de transportes e de energia nos próximos anos. Uma série de entraves burocráticos, no entanto, emperram as “privatizações” do governo.
Quais as saídas então para que (1) o PIB volte a crescer; para a que (2) a inflação não corroa as conquistas dos mais pobres; e para que (3) a produção avance com força? “Investimentos pesados na educação” e segurança jurídica para que “empresas estrangeiras e locais trabalhem tranquilas para levantar a indústria do País”, aconselha Arias.
Ranking de competitividade internacional de importante escola de negócios sediada na Suíça (International Institute for Management Development – IMD), divulgado na semana passada, reforça os argumentos apresentados: desde 2010, a produção do Brasil caiu do 38.º para o 51.º posto entre as economias com maior poder de competição.
Milhões de pessoas saíram da pobreza, não se pode negar; e essas pessoas, estimuladas a comprar (expansão do crédito), mantiveram a economia do Brasil forte o bastante para suportar a crise de 2008. Mas, hoje, estão endividados 62% das famílias brasileiras, com comprometimento de 42% de suas rendas – indica o El País. E, com a inflação beirando o teto da meta oficial (de 6,5% em 12 meses), o consumo parece precisar de freios – e também já ter sido explorado ao máximo.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Qual modelo econômico, cara pálida? Não há modelo algum. Desde 2003, o único modelo que o governo petista persegue a risca é um projeto de poder absolutista. No governo Dilma o único modelo que se nota é o improviso, a falta de rumo, a ausência completa de um projeto de país. O resto é apenas arremedo de qualquer coisa para ilustrar, com mentiras, a propaganda oficial.
