Nice De Paula e Renata Cabral
O Globo
No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação chega a 6,5% em maio. Já nos cinco primeiros meses de 2013, o IPCA subiu 2,88%
Principal responsável pela desaceleração do IPCA de maio foram os alimentos, que passaram de uma alta de 0,96% em abril para 0,31% em maio
RIO - Mesmo que os alimentos mantenham sua trajetória de queda neste mês e o IPCA volte a recuar, a tendência para junho é que inflação acumulada em 12 meses volte a estourar o teto da meta de 6,50%, previsto pelo governo para este ano. Além disso, há um efeito matemático desfavorável nas contas. O dado acumulado dos últimos doze meses é calculado incluindo a taxa do mês atual e retirando a sua correspondente do ano anterior. Assim, a conta será feita incluindo a inflação de junho de 2013 e retirando o IPCA de junho de 2012.
— Nos últimos doze meses, a inflação ficou no mesmo nível da do mês anterior, porque trocamos o IPCA de maio deste ano (0,37%) por um muito semelhante, o de maio do ano passado (0,36%). Em junho vamos trocar a taxa de 0,08%, que a de junho do ano passado por um taxa de que ainda esta por vir. Então, mesmo que o resultado continue a decrescer, pode ser que tenha um resultado maior nos últimos doze meses até por um efeito matemático – diz Eulina Nunes do Santos, do IBGE.
A inflação medida pelo IPCA do IBGE avançou 0,37% em maio, depois de registrar 0,55% em abril. Nos cinco primeiros meses de 2013, o IPCA já subiu 2,88%, contra 2,24% em igual período do ano passado. Já a inflação acumulada nos últimos 12 meses chega a 6,5%, exatamente no limite do teto da meta do governo para este ano.
Ou seja, o índice em doze meses só não passará de 6,50% se a inflação deste mês for de no máximo 0,08%. Mas a taxa será pressionada pelo setor de transportes, por causa dos aumentos de 7,27% nos ônibus urbanos do Rio de Janeiro, de 6,75% nos ônibus, trens e metrô de São Paulo e de parte dos 11% do reajuste de ônibus dado em Goiânia em 16 de maio, cujo impacto ainda vai se refletir este mês.
A inflação de junho também será influenciada pelos reajustes de 5,25% na taxa de água e esgoto de Belo Horizonte e de 8,16% em Fortaleza, ambos previstos para este mês.
— No mês de junho, alguns reajustes de ônibus vão se concentrar em três estados importantes. É uma pressão que está por vir do reajuste de ônibus e de água e esgoto, que também são itens de peso – diz Eulina.
Para a economista da consultoria Rosenberg & Associados Priscila Godoy, as notícias ruins superam as boas neste mês de maio: a desaceleração dos preços dos alimentos poderia ter sido maior e o aumento da inflação de serviços em 12 meses mostra que a economia está aquecida e que o índice pode demorar a ceder nos próximos meses:
— A expectativa é que já no próximo mês a inflação fique acima do teto da meta do governo, algo entre 0,30% e 0,35%, e, em 12 meses, 6,70%. Mas deve desacelerar no segundo semestre. No ano passado, entre julho e setembro, o preço dos grãos foi elevado pela seca nos Estados Unidos — lembra a economista, que aposta num índice de 5,8% ao fim de 2013.
Em relatório, o banco HSBC disse também apostar num pico do índice de inflação em 12 meses em junho, quando deve chegar a 6,7% em 12 meses, para depois retroceder e fechar o ano em 5,5%. A “persistência” da inflação de serviços, no entanto, põe em risco a perspectiva do banco para 2013, diz a instituição.
“A inflação de maio veio em linha com expectativas, mas a inflação de serviços continua a exercer pressão, o que implica um risco colateral para nossa previsão de fechamento do IPCA em 5,5% ao ano”, afirmou no documento a equipe de economistas do banco, que previa um avanço menor em maio, de 0,35%.
Apesar da menor pressão dos preços dos alimentos observada neste mês, o banco ressalta que as pesquisas já apontam para uma nova alta já nesta primeira semana de junho.
Para o Banco Brasil Plural, a inflação deve permanecer em cerca de 6,5%, em 12 meses, até agosto, atingindo 6,8% em junho. Também em relatório, divulgado nesta sexta-feira, a instituição disse que mantém a aposta de que o índice feche em 5,7% em 2013, mas acredita que o resultado tem um viés de alta.
“Em junho e julho, esperamos que o IPCA chegue a 0,35% e 0,25%, respectivamente”, diz o relatório.