Laryssa Borges
Veja online
Estatal aeroportuária afirma que os aeroportos mais lucrativos, como Guarulhos e Brasília, foram leiloados, e outros também passarão para a iniciativa privada
(Avener Prado/Folhapress)
Cartazes no aeroporto de Congonhas durante greve
dos funcionários da Infraero, em São Paulo
A dificuldade de caixa enfrentada pela Infraero limita consideravelmente a margem de negociação da estatal aeroportuária para tentar debelar a greve de funcionários do setor. A avaliação é do diretor de Administração da empresa, José Clóvis Dattoli. O principal fator para a escassez de recursos é o fato de os aeroportos mais lucrativos, como Guarulhos e Brasília, terem sido leiloados no ano passado. Além disso, outros terminais importantes, como Galeão (MG) e Confins (MG), estão prestes a passar para as mãos da iniciativa privada.
“A Infraero neste momento já tem certa limitação porque estamos em uma conjuntura não muito favorável por causa das concessões dos aeroportos. Estamos com uma redução temporária de receitas e isso está causou dificuldade econômico-financeira neste ano. A previsão de 2013 e 2014 é de mais dificuldade”, disse Dattoli ao site de VEJA.
Na tentativa de controlar o movimento grevista iniciado nesta quarta-feira, a Infraero deverá propor aos trabalhadores um reajuste um pouco superior aos 6,49% originalmente anunciados.
Além do reajuste (os trabalhadores pedem 9% real e 6,5% da reposição salarial), está em negociação um plano de carreira para funcionários de nível técnico e regras para utilização do plano de saúde. Atualmente, o plano de saúde é subsidiado, e o funcionário só paga quando utiliza o serviço. De acordo com o Sindicato Nacional dos Empregados em Empresas Administradoras de Aeroportos (Sina), a proposta da Infraero é instituir um sistema pré-pago de assistência à saúde, com limites para consultas ou internações.
“Enquanto não temos receitas adicionais, estamos limitados. Isso já dá uma limitação e nos impõe certo cuidado em uma negociação dessas, porque salário pesa muito na empresa. É o principal item de despesa de qualquer empresa”, afirmou Dattoli.
Caixa - Com a consolidação das privatizações dos aeroportos, o cenário para a Infraero é de dificuldade real de caixa. A cúpula da estatal admite que a empresa perderá capacidade de investimento com as concessões de aeroportos e com o fim das receitas arrecadadas pelo Ataero (percentual de tarifas de embarque e de tarifas relativas à navegação aérea e telecomunicações). Internamente, as projeções são de que o Tesouro Nacional precisará sustentar a empresa por pelo menos três anos. Após esse período, a Infraero retomaria o fôlego porque passaria a receber parte dos dividendos dos novos concessionários – ela é acionista com 49% nos aeroportos já concedidos e nos que ainda vão ser privatizados.
Para enfrentar as dificuldades em lidar com despesas de custeio enquanto as concessionárias não repassam a parcela que devem à Infraero, a estatal tentará implementar projetos que garantam aumento de receitas. “Neste período, a empresa está tomando uma série de estratégias, novos serviços e produtos. A empresa de prestação de serviços, por exemplo, vai começar a operar em 2014”, relatou Dattoli. Também estão nos planos da gerente aeroportuária negociar o aluguel de áreas subaproveitadas nos terminais e analisar a possibilidade de ampliação de hangares para jatinhos.
