sexta-feira, setembro 13, 2013

Indústria: produção sobe e desce, mas emprego só no vermelho

Valéria Maniero 
O Globo

A produção industrial vem registrando quedas expressivas, seguidas de altas fortes, nos resultados mensais, como temos falado aqui no blog, mas alguns dados já passaram do vermelho para o azul. Em 12 meses (até julho), por exemplo, a indústria tem crescimento de 0,6% - parece pouco, mas é o resultado positivo mais alto desde novembro de 2011. No acumulado do ano, ou seja, de janeiro a julho, a produção também está no azul: a alta é de 2%. Mas não se pode dizer o mesmo de outro indicador da indústria, o do emprego.

Quando olhamos os dados do IBGE, que saíram hoje, notamos que ainda está tudo no vermelho: em julho, o emprego na indústria recuou 0,2% em relação a junho. É a terceira queda seguida. Em maio, tinha encolhido 0,4% e em junho, 0,1%. Na comparação com julho do ano passado, a situação é parecida: queda de 0,8% - nesse caso, o 22º resultado negativo seguido. Usando outra base de comparação, a mesma constatação: no acumulado do ano, ou seja, nos sete primeiros meses de 2013, o emprego industrial teve queda de 0,8%; em 12 meses, enquanto a indústria cresce 0,6%; o total do pessoal ocupado no setor recuou 1,1%.

Na avaliação do economista José Francisco Gonçalves, do Banco Fator, os dados divulgados hoje pelo IBGE são desfavoráveis a uma avaliação de melhora na indústria.

De janeiro a julho, dos 14 locais pesquisados pelo IBGE, em 11 houve queda do emprego, que também recuou em 13 dos 18 setores analisados. O instituto explicou que o principal impacto negativo veio da região Nordeste, onde o emprego industrial caiu 4,3% no acumulado do ano. Em seguida, aparecem Rio Grande do Sul (-2,4%), Pernambuco (-7,4%), Bahia (-5,3%) e São Paulo (-0,3%). Por outro lado, Paraná (0,9%) e Santa Catarina (1,0%) contribuíram positivamente nesses sete primeiros meses.

Por setores, as contribuições negativas mais relevantes vieram de calçados e couro (-5,4%), vestuário (-3,7%), outros produtos da indústria de transformação (-4,2%), produtos têxteis (-3,7%), máquinas e equipamentos (-1,8%) e madeira (-5,1%).

Além dos dados de emprego, o IBGE divulgou hoje que o número de horas pagas recuou 0,3% em julho em relação a junho, enquanto a folha de pagamento real cresceu 0,4%.