O Globo
Com Agências Internacionais
Walid al-Muallem afirmou ainda que país vai assinar a Convenção sobre Armas Químicas e está pronto para interromper produção
Alexander Zemlianichenko / AP
Walid al-Muallem em entrevista em Moscou na segunda-feira
WASHINGTON — A Síria não só aceitou uma proposta russa de entregar o controle de armas químicas à comunidade internacional, como disse estar pronta para revelar a localização de seu arsenal e mostrar as suas instalações para os representantes da Rússia, Nações Unidas e outros países. Em entrevista exclusiva à rede “Al-Mayadeen”, o ministro das Relações Exteriores, Walid al-Muallem, afirmou ainda que o país irá assinar a Convenção sobre Armas Químicas e está pronto para interromper sua produção.
Pouco antes, o secretário de Estado americano, John Kerry, afirmou que receberá do governo russo ainda hoje uma proposta de retirada de armas químicas da Síria. Segundo Kerry, a combinação foi feita em conversa com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov.
- Isso não pode ser um jogo. Deixamos isso muito claro para os russos - afirmou o secretário em entrevista aos jornalistas Nicholas Kristof, do “New York Times”, e Lara Setrakian, do site “Syria Deeply”, via hangout do Google. - Não vamos aceitar algo que não dará conta do trabalho necessário.
Perguntado sobre a declaração do ministro de Relações Exteriores sírio de que o país está pronto para assinar a convenção internacional contra o uso de armas químicas, Kerry deu apenas um recado:
- Espero que ele e Assad aproveitem esta oportunidade para que haja paz na Síria - disse.
A atuação de Rússia e China no Conselho de Segurança da ONU também foi criticada por Kerry, que acusou “principalmente os russos” de vetarem resoluções a favor do fornecimento de assistência humanitária e pela condenação do uso de armas químicas. Nesta quarta-feira, o Conselho iria realizar uma reunião de emergência sobre o conflito no país árabe, mas o encontro foi cancelado.
