Ricardo Setti,
Veja online
Na linguagem típica dos criminosos, este é um trecho de uma conversa gravada com autorização judicial entre bandidos de alta periculosidade de São Paulo:
– Depois que esse governador entrou aí o bagulho ficou doido mesmo. Você sabe de tudo o que aconteceu, cara, na época que ‘nóis’ decretou ele, então, hoje em dia, secretário de Segurança Pública, secretário de Administração, comandante dos vermes (Polícia Militar), estão todos contra ‘nóis’.
Essa, digamos assim, declaração é de Luis Henrique Fernandes, o “LH”, um dos líderes da principal organização criminosa em atuação em São Paulo, o chamado PCC.
“Esse governador” é o governador Geraldo Alckmin, alvo de uma vasta campanha de “desconstrução” de imagem depois da onda criminosa, determinada de dentro das penitenciárias do Estado, ocorrida no final do ano passado.
A campanha, principalmente pela internet, procurava mostrar que não apenas Alckmin, mas os anteriores governadores tucanos do Estado seriam “moles” com os criminosos, o que os números desmentem.
Ao admitir que as coisas pioraram muito para os bandidos “depois que esse governador entrou aí”, o chefão criminoso na verdade atribui uma condecoração aos esforços de Alckmin e à cúpula da segurança pública de São Paulo no combate ao crime.
Os números desmentem vigorosamente a mentira de que os governadores tucanos foram ineficientes no âmbito da segurança pública. Vejam o gráfico abaixo, sobre a cidade de São Paulo, que vai de 1999 a outubro de 2012:
(Gráfico: VEJA)
O quadro mostra a enorme diminuição dos homicídios
desde a segunda administração do governador Mário Covas
Investigações do Ministério Público Estadual mostram que a facção criminosa planejou a morte do governador e de outras autoridades, segundo informa o site de VEJA.
O jornal O Estado de S. Paulo teve acesso ao áudio de um grande número de interceptações telefônicas, em uma das quais o tal LH conversa Rodrigo Felício, o Tiquinho, e Fabiano Alves de Sousa, o Paca, ambos também integrantes da facção, e admite que, para eles, “o bagulho ficou doido mesmo”.
As investigações dos promotores do Grupo Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Estado, começaram em 2009 e resultaram na denúncia de 175 integrantes do PCC.
O MP também pediu à Justiça a internação de 32 presos no Regime Disciplinar Diferenciado, o temido RDD, uma linha dura penitenciária que impõe um rigoroso isolamento dos detentos.
A cúpula da facção atualmente está no presídio de Presidente Venceslau, a 610 quilômetros da capital.
A resposta de Alckmin, já divulgada, foi dada na cidade de Mirassol, e eu repito aqui:
– Os bandidos dizem que as coisas ficaram mais difíceis para eles. Pois eu quero dizer que vai ficar muito mais difícil ainda. Nós não vamos nos intimidar. É nosso dever zelar pelo interesse público, lutar contra a criminalidade. Vamos fortalecer ainda mais o Regime Disciplinar Diferenciado, penitenciárias de segurança máxima, para isso temos as mais fortes penitenciárias do país no Estado de São Paulo. Os índices de criminalidade estão em queda, fruto exatamente desse trabalho, que vai ser fortalecido para proteger a população.
